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De Lucas Salgado
Sobe o sol, os pássaros voam pelo belo cenário africano, elefantes, zebras, girafas, formigas e muitos outros animais caminham em direção a um grande acontecimento. Ao som da bela canção "Ciclo sem Fim" ("Circle of Life", no original), Mufasa, o rei da floresta, reúne seus súditos para a apresentação de seu filho Simba. O macaco Rafiki retira o leãozinho dos braços da mãe e o ergue no topo da Pedra do Rei. Sem que nenhum personagem abrisse a boca para falar qualquer coisa, toda esta cena acontece em aproximadamente quatro minutos e foi o bastante para fazer cair a ficha: estava revendo O Rei Leão nos cinemas.
Assisti o filme nas telonas há quase 17 anos, depois revi diversas vezes em VHS e, mais recentemente, pude conferir em DVD. Por mais que aguarde o iminente lançamento em Blu-ray, devo reconhecer que não há nada próximo da experiência de assistir nos cinemas.
Não tenho convicção o suficiente para afirmar que O Rei Leão é o melhor filme da Walt Disney, afinal a empresa produziu diversos outros clássicos da animação infantil, mas é inegável que o longa representa o ponto alto do estúdio em sua década mais importante. Nos anos 90, a Disney realizou produções marcantes como A Bela e a Fera (1991), Aladdin (1992) e O Corcunda de Notre Dame (1996), e mesmo filmes menos badalados como Pocahontas (1995), Hércules (1997), Mulan (1998) e Tarzan (1999) também conquistaram o público e a crítica. Quando falo em ponto alto, não quero dizer, por exemplo, que O Rei Leão é melhor que A Bela e a Fera (acho a disputa aí pesada), mas busco apenas ressaltar que seu lançamento em 94 representou o grande momento da companhia no período.
Os anos 2000 viriam consolidar as animações digitais, principalmente através das obras primas da Pixar, como Procurando Nemo, Ratatouille, Toy Story 3 e cia, mas nenhuma dessas produções seriam possíveis sem a existência das animações 2D dos 90. Infelizmente, um período obscuro na administração da Disney considerou que teriam que escolher um dos dois formatos, o que levou ao abandono das animações tradicionais. Curiosamente, foi necessário o chefão da Pixar, John Lasseter, assumir a função de Diretor Criativo da Disney para que voltassem a trabalhar com o 2D, gerando bons filmes como A Princesa e o Sapo e Enrolados.
The Lion King (no original) tem como diferencial não apenas a qualidade na animação, mas também o fato de exibir cenários e paisagens que fogem do padrão da "casa do Mickey", a savana africana é retratada com uma qualidade impressionante e inédita em produções do gênero. O processo de animação do longa durou três anos, mas o resultado final compensou todo o trabalho.
A trilha sonora merece um destaque a parte, com o ótimo Hans Zimmer fazendo seu trabalho mais conhecido nos cinemas, conquistando inclusive um Oscar pelo mesmo. O compositor contou com a ajuda imprescindível de uma série de importantes músicos, como Tim Rice e Elton John. "Hakuna Matata", "I Just Can't Wait to Be King", "The Lion Sleeps Tonight" e "Can You Feel the Love Tonight" não são apenas canções belíssimas, como também cumprem sua funções importantes na narrativa.
O roteiro de O Rei Leão foi escrito por três pessoas (Irene Mecchi, Jonathan Roberts e Linda Woolverton), mas nasceu a partir de ideias de outros 26 profissionais, o que prova que nem sempre um processo coletivo de escrita ou desenvolvimento é prejudicial, até porque o argumento do longa é mesmo especial. Algumas vezes é ruim rever adulto uma produção que te encantou quando jovem, uma vez que pode acabar descobrindo que a falta dos "olhos infantis" prejudicam a história, mas isso não acontece aqui. É provável, inclusive, que os fãs se emocionem mais do que na primeira vez que viram a produção na tela grande.
O filme também merece destaque por seu elenco de vozes. Matthew Broderick, Rowan Atkinson, Jeremy Irons e Whoopi Goldberg se saem muitíssimo bem, mas é inegável que a voz mais marcante é a de James Earl Jones como Mufasa. O ator, que também empresa sua voz ao vilão Darth Vader de Guerra nas Estrelas, brilha ao apresentar um tom sério e ao mesmo tempo apaixonado nas conversas com o filho. Por mais que seja sempre melhor ver a produção da forma em que foi originalmente concebida, também deve-se destacar os dubladores da versão brasileira, principalmente numa época que a Disney passou a adotar a prática de convocar famosos para dublarem seus projetos (Luciano Huck em Enrolados, Claudia Leitte em Carros 2, e por aí vai). Garcia Júnior, Paulo Flores, Mauro Ramos, Pedro Lopes e Jorge Ramos são os responsáveis pelas vozes na versão nacional.
Ah... o 3D! Já estava terminando esta crítica sem abordar o formato. Este não possui a menor importância, se tratando de uma conversão barata com meros objetivos comerciais. Notamos uma profundidade aqui acolá, mas nada que justifique elogios. Isso significa que você não deve ver o filme em 3D? De forma alguma! Se a única forma de você rever O Rei Leão nos cinemas é com o formato, não perca a oportunidade. A quantidade de Ds não interfere no fato de que trata-se de um dos longas mais mágicos da história da sétima arte.
De Joss Whedon
Com Robert Downey Jr., Chris Evans
Ação
De Jon Hurwitz, Hayden Schlossberg
Com Jason Biggs, Alyson Hannigan
Comédia
De David Foenkinos, Stéphane Foenkinos
Com Audrey Tautou, François Damiens
Romance
De Rupert Sanders
Com Kristen Stewart, Chris Hemsworth
Filme - Fantasia
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