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Druk - Mais uma Rodada
Druk - Mais uma Rodada
4,0
Enviada em 26 de março de 2021
(Insta: @cinemacrica) - Por que mudar se tudo segue como o planejado? Nessa abordagem de como a inércia é incômoda, coloca-se no álcool uma das possíveis válvulas de escape do desprendimento da estagnação, seja ela qual for. O consumo abusivo de cerveja, por exemplo, é anunciado na introdução como pilar central do entretenimento de adolescentes. Mas logo se percebe que a variedade de bebidas alicia a sociedade dinamarquesa em qualquer situação ou recorte demográfico.
Martin é pai de família, tem dois filhos e uma carreira estável como professor de história. Apesar da aparentemente estabilidade, o ator Mads Mikkelsen (A Caça) é preciso em transmitir que há um peso no olhar, o atingimento da plenitude é relativo e pode resvalar em aspectos subjetivos. Criado o ambiente receptivo a intervenções em prol de mudanças, durante um jantar, um de seus colegas comenta que nascemos com um déficit de 0,5% de álcool no sangue. Sendo assim, a máquina humana operaria de forma ótima se esse nível fosse mantido. Sem muito esforço para a defesa da tese, os amigos que também viviam um marasmo não muito distinto do de Marvin, iniciam a experimentação.
Os ingredientes são bastante propícios para o desenho de uma comédia, mas o filme não se limita a esse escopo. Existem, de fato, episódios que exploram o humor. Mas a reconhecida habilidade do diretor Thomas Vinterberg (A Caça, assim como protagonista) em expor conflitos sociais destaca-se em andar no limiar da graça e da tragédia. Não se pode negar o constrangimento cômico de ver adultos se aventurando numa proposta de se manterem ligeiramente embriagados ao longo do dia. Contudo, a reflexão sobre a real necessidade de buscar soluções do tipo dentro de contextos supostamente saudáveis serve de contraponto provocativo.
Mantendo a lógica da quebra da inércia inicial, o nível de álcool ideal proposto pela tese, que num primeiro momento serviu de agente mobilizador, não demora muito a ser desafiado. Fica, portanto, a reflexão sobre nossa relação com o status quo e até que ponto se pode ir para transpô-lo.