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Nomadland
Nomadland
3,5
Enviada em 30 de abril de 2021
(Insta: @cinemacrica): "Nomadland" carrega a virtude de não ser apenas mais um road movie. A premiada diretora Chloé Zhao tece com delicadeza a desconstrução de jornadas ancoradas em aspectos saturados como sentimentos passionais ou ambição. O ponto de partida decorre de uma resolução pessoal atípica após a sucessão de eventos traumáticos: o que fazer quando uma grave crise financeira força a fábrica onde trabalha encerrar as atividades? Conjuntamente, como continuar quando essa fatalidade se insere no contexto da escassez de oportunidades de uma cidade interiorana e a perda do marido?
Frances McDormand, no papel de Fern, protagoniza com competência a vida de uma mulher abatida por duros golpes e que opta pelo desapego. A escolha se desdobra em resoluções como viver viajando num trailer, desprender-se de vaidades aceitando empregos que demandam baixa qualificação e ainda ser comedida na intensidade das relações humanas. A vida nômade e solitária, portanto, é uma opção.
A abordagem estética pálida faz bom par com o tom dado por McDormand e a trilha sonora de notas humildes. A unidade estilística que enaltece o viver simples é eficiente em destituir qualquer traço de requinte ao mesmo tempo em que abraça com vigor a sinceridade trivial que a protagonista está disposta a chamar de nova realidade. Admirável ou repugnante, essa é a genuína separação do joio do trigo: passada a tragédia, retém-se o que é considerado bom, desapega-se daquilo que é improdutivo.
A continuidade poética, entretanto, é eficiente até certo ponto. Por se valer de fórmulas semelhantes e justapostas, a percepção de evolução não é pronunciada. A proposta contemplativa, portanto, mesmo que exale sinceridade e empatia, tem rendimentos narrativos decrescentes ao não incorporar elementos substanciosos.