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(Insta: @cinemacrica): A ave constrói o ninho; a aranha, a teia; o homem, a amizade - William Blake
A citação que introduz o filme exprime com precisão o prisma pelo qual se observará as relações humanas. A perspectiva sobre a nossa espécie, sobretudo no retrato artístico, não precisa seguir uma cartilha prévia, mas certamente, ao adotar uma inclinação, é preciso embasá-la. A diretora Kelly Reichardt apresenta uma obra notável, que promove o olhar positivo sobre o homem, enaltecendo em primeiro plano a amizade.
O título não deixa de carregar um teor irônico, pois não se trata da jornada de nenhum animal, nem de uma vaca especial. O bovino apenas integra uma trama que se subjuga ao objeto principal que é o laço fraterno. Essa relação é protagonizada por Cookie, o cozinheiro de uma expedição durante o período colonial norte-americano. Em meio à empreitada, ele conhece um chinês que fugira de outros exploradores, nasce daí, uma bela narrativa de cumplicidade.
O longa poderia ser vítima fácil do assédio de uma infinidade de clichês, o esboço narrativo proposto é magnético para esse fim. Mas, Reichardt consegue ser inventiva para um tema suscetível à banalização. O primeiro passo em direção ao sucesso é abraçar a perspectiva positiva sobre as relações humanas, nem tudo sobre nós é uma tragédia. Segue-se, então, a execução primorosa de recursos cinematográficos criativos que contribuem para a defesa dessa proposição.
Pode-se levar algum tempo para se adaptar à cadência contemplativa e espaçada do desenvolvimento da trama e caracterização dos personagens. Tons pálidos e decupagens estáticas reforçam o olhar que preza pela calma. Até mesmo o tom de voz manso de Cookie é harmônico. O estilo, portanto, alinha-se com a serenidade de uma amizade orgânica. Um exemplo é a briga no bar: ao invés de privilegiar enquadramentos das trocas de socos, a lente recai sobre o diálogo de Cookie e seu amigo. Mais que isso, quando a conversa migra do escopo inicial e incorpora elementos do ambiente, o assunto não é a contenda, mas o cesto com um bebê sobre o balcão do bar. A mecânica se alonga com outros bons exemplos, mas sempre priorizando a interação positiva e serena em detrimento da violência e frenesi.
A citação que introduz o filme exprime com precisão o prisma pelo qual se observará as relações humanas. A perspectiva sobre a nossa espécie, sobretudo no retrato artístico, não precisa seguir uma cartilha prévia, mas certamente, ao adotar uma inclinação, é preciso embasá-la. A diretora Kelly Reichardt apresenta uma obra notável, que promove o olhar positivo sobre o homem, enaltecendo em primeiro plano a amizade.
O título não deixa de carregar um teor irônico, pois não se trata da jornada de nenhum animal, nem de uma vaca especial. O bovino apenas integra uma trama que se subjuga ao objeto principal que é o laço fraterno. Essa relação é protagonizada por Cookie, o cozinheiro de uma expedição durante o período colonial norte-americano. Em meio à empreitada, ele conhece um chinês que fugira de outros exploradores, nasce daí, uma bela narrativa de cumplicidade.
O longa poderia ser vítima fácil do assédio de uma infinidade de clichês, o esboço narrativo proposto é magnético para esse fim. Mas, Reichardt consegue ser inventiva para um tema suscetível à banalização. O primeiro passo em direção ao sucesso é abraçar a perspectiva positiva sobre as relações humanas, nem tudo sobre nós é uma tragédia. Segue-se, então, a execução primorosa de recursos cinematográficos criativos que contribuem para a defesa dessa proposição.
Pode-se levar algum tempo para se adaptar à cadência contemplativa e espaçada do desenvolvimento da trama e caracterização dos personagens. Tons pálidos e decupagens estáticas reforçam o olhar que preza pela calma. Até mesmo o tom de voz manso de Cookie é harmônico. O estilo, portanto, alinha-se com a serenidade de uma amizade orgânica. Um exemplo é a briga no bar: ao invés de privilegiar enquadramentos das trocas de socos, a lente recai sobre o diálogo de Cookie e seu amigo. Mais que isso, quando a conversa migra do escopo inicial e incorpora elementos do ambiente, o assunto não é a contenda, mas o cesto com um bebê sobre o balcão do bar. A mecânica se alonga com outros bons exemplos, mas sempre priorizando a interação positiva e serena em detrimento da violência e frenesi.