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A Mulher na Janela
A Mulher na Janela
2,0
Enviada em 20 de maio de 2021
(Insta: @cinemacrica) - Em claras referências a Alfred Hitchcock, "A Mulher na Janela" desenvolve-se num processo de reverências ao mestre do suspense. Mesmo sendo possível pinçar elementos de clássicos como "Psicose", a obra ampara-se explicitamente em "Janela Indiscreta". Na obra atual, o diretor Joe Wright substitui o engenhoso fotógrafo Jeffries por uma nova-iorquina agorafóbica; uma perturbação caracterizada por sintomas de ansiedade em resposta a situações que a pessoa percepciona como inseguras. Nesse caso, a protagonista, Anna, tem como resposta o enclausuramento em seu apartamento em Manhattan.
O cotidiano monótono de reclusão domiciliar é oscilado quando quando uma família muda-se para o apartamento do outro lado da rua. O hábito de bisbilhotar a vizinhança pela janela não exita, mas logo a curiosidade se converte em pânico ao testemunhar um homicídio doméstico. O olhar do diretor não é imparcial, há um viés estilístico em abraçar a jornada da protagonista de modo que a audiência compartilhe de seus sentidos. Por sofrer de agorafobia e fazer uso de medicações, busca-se esclarecer não só a fatalidade, mas também a clareza mental e a confiabilidade com a qual as peças do episódio são sequenciadas.
Pode parecer interessante, afinal, os elementos introdutórios convocam de forma explícita a responsabilidade do desenvolvimento de um thriller psicológico denso. Apesar da proposição, seja pelo que foi apresentado ou pela referência a Hitchcock, a esperada densidade não tem o peso da magnitude de grandes obras do gênero. A aflição contínua cede lugar a episódios burocráticos ligados a possíveis devaneios psicológicos, o escopo do suspense disputa espaço com uma exposição clínica disfuncional. Como resultado, não há uma resolução bem acabada, nem no intento primário de constituir um thriller com referências a um clássico, nem de transpor elementos convencionais para serem enriquecidos no campo médico.