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Bacurau
Bacurau
4,5
Enviada em 4 de setembro de 2019
Inevitável associar as primeiras imagens de Bacurau a Deus e o Diabo na Terra do Sol, de Glauber Rocha. Com a inserção da cor, numa reverente fotografia do sertão nordestino, alternado o verde com o árido, se remete ao Dragão da Maldade, do mesmo Glauber, onde a cor é utilizada de forma transbordante e coerente.
Em Bacurau temos um roteiro construído num suspense crescente e mesmo com algumas informações ao longo da obra, não é permitido imaginar o clímax que virá.
Ótimo roteiro registrado por uma fotografia honesta, com boas interpretações, onde todas as escolhas nos parecem acertadas, incluindo as locações e a utilização da luz natural exuberante, como no Cinema Novo.
Um mosaico, um caleidoscópio que vai se organizando aos olhos do público, integrando personagens aparentemente tão distintos.
Diferente do repertório visual glauberiano, a contemporaneidade exige a materialização da violência explícita, para concluir sua proposição. Mas as cenas de ultraviolência não são gratuitas e surgem como uma catarse esperada, uma metáfora adequada aos tempos atuais, quando a tomada de consciência do povo, em relação ao poder que reprime, leva à união que liberta.
Uma obra que veio para ficar e marcar o cinema contemporâneo, que deve ser tratada com o merecido respeito mesmo em comparações colonizadas com outras obras semelhantes que não tem apresentam vigor e criatividade, ainda que produzidas com plenos recursos, mas geram produções previsíveis para cumprir seu processo de aculturação.