Filmes
Séries
Programas
Geralmente temos uma ideia bastante negativa de nosso cinema, consideramos o mesmo muito fraco em termos de qualidade e por vezes apelativo. No entanto, se analisarmos bem veremos que o nosso cinema não é tão valorizado como merece, talvez por estarmos muito inseridos no universo cultural norte-americano e acabamos por subestimar o que é produzido aqui. O filme "Que horas ela volta" me surpreendeu justamente por achar que se tratava de mais uma obra brasileira lugar-comum, os comentários que li em alguns sites deturparam bastante a obra e me fez relutar em assisti-la a mais tempo. Porém, quando tive a chance de assistir a essa película na televisão aberta fiquei surpreendido com a genialidade da história e da simplicidade que ao mesmo tempo traduz muito de nossa cultura. Confesso que fiquei muito surpreso com a excelente atuação da Regina Casé, do início ao fim do filme ela foi bem natural e encarnou bem a personagem pernambucana sofrida chamada Val, que representa milhões de brasileiras batalhadoras e por vezes desvalorizadas. A atriz em nenhum momento lembrava a apresentadora exagerada e conseguiu transmitir bem o que a história queria mostrar por meio dos gestos simples, humildes e francos da personagem. A atuação de Camila Márdila também foi ótimo e bem convincente, afinal, ela foi peça fundamental para o desenrolar da trama e cumpriu bem o seu papel. Os demais atores também não deixaram a desejar. Muita gente não conseguiu compreender o que o filme quis transmitir, e levaram para o lado da luta de classes sociais, quando na realidade o filme é bem mais que isso. Mostra que todos os brasileiros independentemente de sua origem, merece o seu lugar ao sol, e é capaz de vencer na vida honestamente, parece algo clichê, mas lamentavelmente, a nossa cultura acaba mostrando o contrário. O brasileiro humilde acaba se conformando com sua realidade, aceita o subemprego que tem, não acredita em seu potencial, abaixa a cabeça para quem tem posição social e financeira melhor, e vai levando a vida como se isso fosse algo natural, quando na realidade não é. Nossa realidade social é fruto de nossas origens e nossa história, é impossível não associar o enredo ao livro "Casa grande e senzala" de Gilberto Freyre, que de forma espontânea e natural, foi livremente adaptado pela brilhante roteirista Anna Muylaert. Um filme que, a meu ver, vale como uma aula de Sociologia.