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Esse não é um filme de super-herói, tampouco deve ser encarado como mais uma aventura do universo DC Comics. É um drama pesado sobre um psicopata que apela às armas e à violência para se vingar de uma sociedade decadente, apresentada como intolerante e agressiva aos doentes mentais.
Não há como deixar de valorizar a espantosa atuação de Joaquin Phoenix e a elevadíssima qualidade técnica do filme. Há que ser aplaudidas — e muito.
Acresce que, jogando sombra sobre esses atributos positivos, o filme vai trazer uma história problemática e eticamente recusável. Em essência, o enredo pretende, de forma manipuladora, exculpar um vilão psicopata, transferindo sua culpa individual ao sistema (a culpa é sempre do sistema, não é mesmo?), à sociedade, ao Estado (que corta seus remédios), à mãe, aos ricos e à doença. Acaba vitimizando o vitimizador e, ao fim e ao cabo, transformando-o numa espécie de “herói”.
Eis o filme de Todd Phillips: os valores se invertem, o vilão redunda no redentor e o Mal transforma-se no Bem, sem deixar de ser o Mal.
Num cenário de luta de classes (ideia gasta e equivocada, mas insistentemente revisitada no filme), sobram rancor social e insurreições violentas. Os ricos e os políticos não se preocupam com o povo, que, então, elege o Coringa como referência. Pronto! Joker foi redimido. É violento e cruel, mas quase sempre com quem merece (e, se às vezes mata inocentes — em cenas que o diretor, propositalmente, omite —, é por culpa do sistema, dos abusos na infância e da doença). Para um novo mundo, um novo herói.
As qualidades técnicas (e, sobretudo, o desempenho do ator principal) até permitem gostar de algo no filme. Mas a percepção geral, dadas a manipulação do público e as escolhas eticamente equivocadas, acaba sendo bem negativa.
Não há como deixar de valorizar a espantosa atuação de Joaquin Phoenix e a elevadíssima qualidade técnica do filme. Há que ser aplaudidas — e muito.
Acresce que, jogando sombra sobre esses atributos positivos, o filme vai trazer uma história problemática e eticamente recusável. Em essência, o enredo pretende, de forma manipuladora, exculpar um vilão psicopata, transferindo sua culpa individual ao sistema (a culpa é sempre do sistema, não é mesmo?), à sociedade, ao Estado (que corta seus remédios), à mãe, aos ricos e à doença. Acaba vitimizando o vitimizador e, ao fim e ao cabo, transformando-o numa espécie de “herói”.
Eis o filme de Todd Phillips: os valores se invertem, o vilão redunda no redentor e o Mal transforma-se no Bem, sem deixar de ser o Mal.
Num cenário de luta de classes (ideia gasta e equivocada, mas insistentemente revisitada no filme), sobram rancor social e insurreições violentas. Os ricos e os políticos não se preocupam com o povo, que, então, elege o Coringa como referência. Pronto! Joker foi redimido. É violento e cruel, mas quase sempre com quem merece (e, se às vezes mata inocentes — em cenas que o diretor, propositalmente, omite —, é por culpa do sistema, dos abusos na infância e da doença). Para um novo mundo, um novo herói.
As qualidades técnicas (e, sobretudo, o desempenho do ator principal) até permitem gostar de algo no filme. Mas a percepção geral, dadas a manipulação do público e as escolhas eticamente equivocadas, acaba sendo bem negativa.