Jairo D.
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O Círculo
O Círculo
3,5
Enviada em 11 de novembro de 2017
Até que ponto deixamos a influência das redes sociais dominar nosso dia à dia e nossas vidas? 

"O Círculo" propõe sua utopia às avessas através de um fenômeno bastante contemporâneo e palpável – a diminuição do espaço íntimo, através dessa servidão voluntária às redes. Através das redes sociais desfilamos nossas vidas antes privadas aos olhares alheios. As empresas estimulam esse comportamento e lucram com ele. A vida transformou-se em espetáculo público em tempo integral. Como toda droga, essa também perde seu efeito com o tempo. E, assim, as empresas são desafiadas a inventar novas emoções – todas em benefício do público e com o consentimento deste, é claro.
Distopias são interessantes quando conseguem impregnar nosso imaginário com cenários consistentes e por isso assustadores. O clássico é 1984, de George Orwell, já amplamente superado pela realidade, mas que ainda mantém seu valor simbólico como pioneiro. As telas do Grande Irmão, instaladas às escondidas nas casas dos cidadãos, parecem brinquedos de criança se comparadas aos fatais algoritmos, que decifram nossos gostos e tendências mais recônditos e os colocam a serviço do mercado. "O Círculo" poderia ter ido mais fundo nessa questão. Mas já é um BOM começo.