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Excelente! Concorreu pela Hungria ao Oscar de Filme Estrangeiro. Um homem e uma mulher, extremamente inibidos e obsessivos, se conhecem na empresa onde ela acaba de se empregar. Repleto de sutilezas, olhares e toques, ambos se aproximam, no "tempo da delicadeza" (Chico Buarque). Com uma metáfora surrealista de "sonhos compartilhados", a diretora Ildiko Enyedi viabiliza poeticamente o encontro de 2 almas ressecadas e, ao mesmo tempo, ...
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Bom. Ótimo trabalho de Gary Oldman, Oscar de Melhor Ator. As excentricidades - positivas e negativas - de Churchill são apresentadas de modo bastante humano, incluindo seus medos e falta de filtros.
Ótimo! Surpreendente história de mães solteiras e seus filhos pré-adolescentes, vivendo num hotel de baixa renda, no entorno da Disney, Orlando. Excelentes atuações das mães, em especial a protagonista, vivida por Bria Vinaite. O diretor Sean Baker (de "Tangerine") consegue articular ternura - sem pieguice - com bastante tensão dramática, além de uma ácida crítica social à alienada Disneyland. O ponto mais alto do filme é a ...
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Muito bom. O diretor Martin McDonagh já tinha apresentado seus ótimos traços à la irmãos Coen e Quentin Tarantino no excelente "Sete Psicopatas e um Shih Tzu", quando tb trabalhou com os mesmos Woody Harrelson e Sam Rockwell (Oscar de Coadjuvante, super merecido), em outra excelente atuação. "Três Anúncios" é um filme q discute a banalização da violência, enquanto única linguagem possível num cotidiano típico duma pequena cidade ...
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Muito bom, especialmente pela ótima atuação da protagonista transexual, Daniele Vega, q segura o filme. O diretor, no entanto, patina várias vezes na construção da trama, como em 2 cenas surrealistas, desconectadas da linguagem adotada no restante do filme. Não merecia tanto, ao ganhar o Oscar de Filme Estrangeiro.
Muito bom. O diretor sueco Ruben Östlund (do ótimo "Força Maior") ousou bastante, ganhou a Palma de Ouro em Cannes e concorreu ao Oscar de Filme Estrangeiro. A quase sempre fina ironia sobre nossas bolhas defensivas anti contato humano - o Quadrado - é transmitida e esticada ao limite, através de situações de tensionamento entre ricos e pobres, entre adultos e crianças, chefes e subordinados, homem e mulher, humano e animal. "Quantas ...
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Absurdante e impressionante filme praticamente mudo sobre os horrores do holocausto soviético na Estônia durante a 2a Guerra. De forma inédita e poética, o diretor Martti Helde transmite as micro sensações durante as perdas dos personagens, vividos por atores em “ação suspensa”, como se fosse um filme de fotografias. Com esta técnica, o espectador é instado a sentir a guerra por milímetro, sem direito a misturar os sons e pequenas ...
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Complexo e contundente road movie sobre um casal de assassinos em série, vividos pelo excelente Woody Harrelson e por Juliette Lewis, ótima no papel. Além deles, Tommy Lee Jones e Robert Downey Jr. também dão um show. O roteiro e o ritmo intenso são sustentados brilhantemente ao longo de 2 horas de projeção. Obra-prima do grande Oliver Stone.
Obra-prima do grande Wong Kar-Wai, subvalorizada pela crítica por soar piegas, supostamente menos vigorosa q seus filmes anteriores. Pois penso o exato contrário: suas ótimas obras anteriores incorriam no vício da melancolia sem saída, portanto até previsível. Em “Um Beijo Roubado”, o diretor coloca “luto” e “melancolia” num mesmo plano, como tramitações psíquicas não excludentes (assim como o melhor trecho do clássico ...
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Raríssimas vezes conseguimos ver no cinema uma comédia romântica inteligente. Articulando um excelente roteiro, personagens em perfeita sintonia, ótimas atuações, e ainda uma deliciosa e precisa trilha sonora, este filme argentino emociona, além, é claro, de inserir ao fundo a crônica crise financeira do país – retratada pelas próprias medianeras (paredes sem janela, onde no filme abrem algumas proibidas, como um grito de fôlego), ...
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Mais uma obra-prima do diretor Eduardo Coutinho. "Documentário" sobre as histórias de vida de algumas mulheres, apresentadas por elas próprias, depois por algumas atrizes conhecidas - as brilhantes Marília Pêra, Fernanda Torres e Andréa Beltrão – e subsequentemente por outras desconhecidas. Essa "bagunça" desconstrutiva provoca com bastante intensidade a desorganização do espectador. Ficam, entre outras, as questões: o q é o ...
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O maior trabalho da vida de Selton Mello, um dos melhores atores brasileiros (chego a considerar q este filme, especificamente, não seria possível com outro ator). Articular traços psicóticos e perversos num único personagem - tarefa praticamente impossível - foi o q o diretor Heitor Dhalia conseguiu realizar, com precisão impressionante, na parceria com Selton.
Obra-prima de um dos melhores diretores da atualidade, a então revelação Xavier Dolan. Impressionante imaginar um diretor iniciar sua carreira antes dos 20 anos, já com tanta consistência (além de assinar o roteiro e atuar como protagonista). A intensidade das discussões entre ele e sua mãe lembra algo de Ingmar Bergman (“Sonata de Outono”), porém com matizes latinas de um Almodóvar. Forte, retumbante e definitivo. Prêmio Regards Jeune em Cannes.
O diretor Murilo Salles atinge o brilhantismo nesta obra impressionante, com um título perfeito. O nomadismo da protagonista incomoda o público, causando em muitos a sensação de q as escolhas da personagem seriam bizarras. Sua liberdade - não glamourizada - evidencia os aprisionamentos até dos espectadores menos preconceituosos. Virtuosismo notável da direção. Ler mais no post "Estilo X Pejorativismo (sobre 'Nome Próprio')", no blog ...
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Belíssimo e extremamente preciso trabalho do diretor Beto Brant. Um tratado de Psicanálise sobre a relação da Neurose com a Perversão. Paulo Miklos (músico da banda "Titãs") atua à perfeição como um matador q resolve "frequentar" a firma de 2 sócios q o contrataram para matar o terceiro. Falas inesquecíveis, olhares e tensões de poder minuciosamente colocados. Obra-prima irretocável.
Extremamente sensível. O diretor Walter Carvalho atinge a perfeição ao trazer um retrato tocante de um artista q contrariou o "pensamento" preconceituoso de sua vila (São Jorge), para inscrever suas pinturas no cenário mundial (foi descoberto por turistas alemães). Seus temas - sexualidade e diabos - causam horror na hipocrisia daquela sociedade, q quase consegue encarcerá-lo, literalmente. A sensibilidade de seu pai e de um ou outro na ...
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Excelente doc de José Padilha, um de nossos melhores diretores. Contundente, sério e minucioso. A tragédia do sequestro de um ônibus na Zona Sul do Rio de Janeiro sendo contada de forma a retratar a "invisibilidade" dos meninos de rua, e os horrores de suas história de vida. O sequestrador, na infância, assistiu à sua mãe ser degolada na porta de sua casa, e anos depois esteve entre os meninos da chamada "chacina da Candelária", onde 8 ...
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Obra máxima do grande Bernardo Bertolucci. Um casal semi-incestuoso (tema clássico deste diretor) de irmãos franceses “seduz” um jovem americano (o excelente Michael Pitt) durante um protesto de amantes de Cinema, à época de Maio de 68. Os três vivem uma espécie de “triângulo”, sempre mediado pela História do Cinema (homenagem claríssima e central nesta obra-prima). A passagem dos personagens à vida adulta é questão ...
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Após o surpreendente contrato de Woody Allen com a Miramax, seus filmes passaram a incluir notoriamente concessões comerciais. Os superestimados “Match Point” e “Vicky Cristina Barcelona” têm o seu valor, porém entregam muito “ouro ao bandido”, algo q outrora não veríamos. A partir de “Tudo Pode Dar Certo”, o diretor retoma sua melhor pegada, até reassumir seu maior vigor com “Meia-Noite em Paris”. Extremamente ...
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Obra-prima em metalinguagem sobre a dor da desilusão amorosa. Os “significantes” ressaltados pelo amor vão, pouco a pouco, sendo dissecados e dilacerados, num réquiem do esvaziamento de uma paixão. A metáfora de uma “máquina de apagamento de lembranças específicas” atende à perfeição aos anseios desesperados de corações em chamas pelo desterro da mansão de um relacionamento. O inacreditável roteiro (de Charlie Kaufman, ...
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Obra maior de um dos maiores diretores de todos os tempos, o subdimensionado Alain Resnais. Iniciou impecavelmente sua carreira com as quase unanimidades “Hiroshima, Mon Amour” e “O Ano passado em Marienbad”, porém depois se tornou uma figura talvez vista como exótica, num sentido depreciativo. Neste filme, conta uma história surrealista de um possível casal, nascido de forma extremamente insólita, e as sutilezas dos estranhamentos ...
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Outra obra-prima do mestre Wim Wenders. Assisti a este file numa rara Mostra, num domingo na Cinelândia, centro do Rio. Apaixonado pelo diretor, empolgado e sem sono algum, passo os primeiros 20min lutando para não dormir. Inconformado e estupefato comigo, de relance olho para o restante do público, na pequena sala da Caixa Cultural: todos sonolentos. Penso então q nada faz sentido, pois uma mostra de Wenders num domingo à noite só pode ...
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Provavelmente a obra-prima mais subdimensionada da história do Cinema. Muito para além de uma história de horror, este filme brilhantemente expõe a “anatomia do medo” (o título mais preciso para esta grande história). Passo a passo, os diretores vão destronando nossos principais alicerces – a líder do grupo, o mapa, e,´finalmente, a bússola. À precisão de um diapasão, transmitem a desorganização psíquica de cada personagem. ...
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Obra-prima. A história da constituição da homossexualidade num homem, e a melancólica trajetória dum amor praticamente unilateral com um sujeito perverso (brilhantemente interpretado pelo subdimensionado Michael Pitt). Trilha sonora impecável, num rock movie eternizado. Destaque para a cena de sexo metaforizada em computação gráfica (lembrando sutilmente a de “Fale com Ela”, de Almodóvar).
Para além do casal Monica Bellucci & Vincent Cassel ter-se formado na vida real a partir deste filme, aqui se vê um tratado sobre a “estrutura histérica” (no sentido psicanalítico), através de um caso bastante atípico de "triângulo" amoroso. Uma mulher – supostamente não protagonista - enxerga numa outra, idealizada, o caminho para se tornar mulher. A partir daí, toda a complexa trama é construída, assim como as tensões de ...
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A obra-prima máxima do melhor documentarista do Brasil, e um dos mais importantes do mundo: Eduardo Coutinho. Seguindo a potência de seu filme anterior "Jogo de Cena", outra obra-prima, o diretor aprofunda sua criatividade e sensibilidade artística filmando o Grupo Galpão de teatro ensaiar uma peça de Tchekhov, q nunca seria exibida ao público. Os atores se revezam ensaiando papéis diferentes, o q provoca um jorro de afetação no ...
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Obra-prima de máxima sensibilidade de Petra Costa, a melhor diretora brasileira da atualidade. Filme radicalmente autoral, para além de ser um doc autobiográfico. O atravessamento de sua dor pela perda da irmã Elena é vivido visceralmente, sem concessões, até q possa, enfim, voltar a respirar. Petra filma à perfeição, tanto dor, quanto amor, melancolia (da mãe) e a própria sublimação de seu fantasma.
Além de Vinícius de Moraes ser um poeta dos maiores, o diretor Miguel Faria Jr. apresenta de forma preciosa sua história, parceiros, idiossincrasias, polêmicas, intensidades. Inúmeras falas inesquecíveis, como as de Ferreira Gullar, Maria Bethânia, Chico Buarque e Tonia Carrero. Além de interpretações tocantes de suas músicas, como a de Mônica Salmaso. O único senão é a presença tosca da fraquíssima Camila Morgado.
A melhor animação de todos os tempos. 100% para adultos, a história expõe solidões pungentes, tentando construir uma alternativa inusitada - uma menina de 8 anos com pais indescritivelmente alienados escolhe um nome aleatório na lista telefônica e envia uma carta, q chega a um senhor de 44, ainda mais solitário e ultra fóbico (frequentador dos Neuróticos Anônimos). A direção tem uma sensibilidade para além do q caberia em palavras, ...
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Provando sua capacidade multifacetada, Peter Sellers aqui faz um "psicótico fora de crise" (ler mais sobre o tema em textos de Calligaris* ou Miller**). Criado desde muito pequeno numa mansão, tendo sua vida resumida a cuidar do jardim e ver televisão, o "Videota" (livro original de Jerzy Kosinski, aqui adaptado para o cinema por Hal Ashby) entende o mundo a partir deste microcosmo, sem sequer cogitar outras possibilidades de existência ...
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Considero o grupo Monty Python a melhor qualidade humorística de todos os tempos. Neste filme, o grupo atinge seu ápice, fazendo uma crítica à ânsia humana por um Messias. Destaque para a cena antológica da reunião para votar se devem fazer uma reunião para salvar o Messias da crucificação. Imperdível.
Minha comédia preferida em todos os tempos. O brilhante e versátil Peter Sellers atua à perfeição, conduzindo as situações mais simples de uma festa chique ao limiar do caos. Impagável.
Obra-prima do polêmico sul-coreano Kim Ki-duk. Um filme quase todo sem falas, porém extremamente eloquente e poético. Um garoto, aparentemente órfão, é criado por um mestre budista de preceitos rígidos de suposto desapego egoico. O fracasso pedagógico é sentido na carne por ambos. A estrutura psicanalítica neurótico-obsessiva é descrita à perfeição, ficando claro q "abnegação", "altruísmo" e "filantropia" são impossibilidades ...
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Sergio Leone construiu uma qualidade de faroestes tão inigualável, q deveria ter um gênero à parte. MUITO pr'além do embate mocinho-bandido, ou de supostos finais felizes, o diretor filma os micro gestos de tensão durante os duelos intermináveis. Neste filme - o último da "Trilogia dos Dólares", Leone microscopicamente fita a pele destruída pelo Sol inclemente, o suor ante a morte iminente, o humor negro, o furo da arrogância enquanto ...
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Obra máxima de Roman Polanski, um dos maiores diretores de todos os tempos. A perversão (no sentido psicanalítico do termo) é apresentada à perfeição, através dos traços sadomasoquistas, do exibicionismo e do voyeurismo do jogo entre os personagens. Além disso, o filme expõe as veis abertas do ocaso de 2 casais q, a despeito de suas singularidades, apresentam questões possíveis a qualquer casal. Polanski é milimétrico em cada cena ...
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Considero o melhor filme de todos os tempos. O Festival de Cannes q, ao contrário do Oscar, procura nunca premiar um filme em mais de 1 categoria, laureou este filme 3 vezes: o diretor Michael Haneke com a Palma de Ouro; Isabelle Huppert, a melhor atriz das últimas décadas, em sua maior atuação; e Benoit Magimel, o único ator. talvez, não tão brilhante. Annie Girardot, a mãe, está brilhante no dificílimo papel.