Lucas Augusto Campos
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Grandes Olhos
Grandes Olhos
4,0
Enviada em 3 de abril de 2015
O mais agradável e surpreendente de Grandes Olhos é que esta se trata de uma (inimaginável) história exclusivamente real, por mais bizarra que seja. É fato de que a nova obra de Burton não é totalmente fiel à história de Walter e Margareth, já que o roteiro assinado por Scott Alexander e Larry Karaszewski também mantém alguns elementos fictícios, mas isso não é problema num filme que por si só já é bom demais. Grandes Olhos também trata-se de um marco na carreira de Burton, que pela segunda vez na história de sua carreira, filma uma cinebiografia, que por sinal, é excelente como a primeira: Ed Wood. Esta é mais uma valiosa e contundente prova da imensa versatilidade de Tim Burton como diretor. É claro, o que eu quero concluir aqui é que mesmo longe de casa, Tim Burton ainda é capaz de montar filmes gloriosos mantendo as clássicas características de seus longas anteriores que o consagraram tanto neste universo cinematográfico, que ainda na mais poderosa transformação, guarda um lugar bem especial para Burton.

Mas, como já foi dito, se você espera uma biografia autêntica de Margareth Keane e que envolva todo o seu processo de arte e tudo mais o que for imaginado acerca disto, é melhor perder as esperanças. O único objetivo aqui é contar o conflituoso caso de Margareth e Walter Keane diante da falsificação das obras dela, cuja autoria original ficou desconhecida ao público por mais de dez anos. Pois é. A história contada aqui é bem conflituosa e peculiar. A mulher faz grandes obras de pintura, o marido as vende, e o público o aclama. É nesse ciclo onde se situa a base do filme. Há cenas em que o público poderá ser automaticamente levado para Edward Mãos-de-Tesoura, por conta do cenário bem colorido e charmoso. Em outras, muita gente vai voltar atrás em Peixe Grande, mas o inevitável deste filme é a presença detalhista de Tim, pois todas as características aqui apresentadas não são nada desconhecida á seus espectadores. Ele é a estrela deste filme. Não consigo ver Grandes Olhos na visão de outro cineasta. Grandes Olhos é puro Burton! Meus olhos instantaneamente se apaixonaram por Amy Adams nesta película. Numa versátil atuação, é totalmente incompreensível a Academia ter deixado Amy Adams de fora da corrida do Oscar. Confesso que ao alarde criado pela confusão pré-Oscar, até desacreditei no talento de Amy neste filme, mas como já era previsto, eu estava erradíssimo ao usar tal afirmação sobre ela, que neste filme, ganhou mais um fã. Pelo menos, eu acredito sim que Amy se saiu melhor em Grandes Olhos do que em Trapaça. Mas enfim, mesmo por não ter recebido todo o reconhecimento que lhe cabia, ou até mesmo uma indicação ao Oscar, isso não significa que Adams não deu um show ao interpretar Margareth Keane. Aliás, todo mundo. Os dois grandes roteiristas, Larry e Scott. A trilha sonora de Danny Elfman (em mais uma parceria fantástica com Tim). O figurino de Coleen Atwood. Enfim, vocês sabem, seus ajudantes. Até mesmo Christoph Waltz foi ignorado, e olha que por não ter criado expectativas anteriores quanto à sua performance, a atração principal foi ele. Mas, independente de todo o ocorrido, eu gostei muito de Grandes Olhos, assim como (eu acredito) que muita gente poderá apreciar um pouco do novo trabalho do diretor americano. Esta é a minha opinião final: por mais rara que sejam suas falhas, não é em Grandes Olhos que ela será encontrada. Burton conclui mais um trabalho digno e majestoso, e por mais que não seja seu melhor filme, é sofisticado e brilhante.