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É um filme sobre a ambiguidade no funcionamento das instituições e dos sistemas: judicial, da Igreja e da imprensa. Nenhum é tão podre a ponto de não mostrar sua relevância para a sociedade, e nenhum é tão puro que não possa ser questionado e desnudado. O diretor Tom McCarthy consegue mandar seu recado porque é preciso, conciso, sóbrio e sabe bem onde pretende chegar: na revelação de que a Igreja Católica se estrutura como uma ...
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A maldade e a burrice dos sequestradores se contrapõem à dignidade e à inteligência da policial perfeitamente interpretada por Frances McDormand, num contraste humano que recebe a representação visual do branco da neve e do vermelho do sangue. Mas não se está aqui diante de uma obra maniqueísta (o marido trouxa, submisso e abobalhado de William H.Macy, que inspira certa pena no espectador, ajuda na composição complexa do enredo e dos ...
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Drama familiar imbuído de mensagem para o espectador, honesto e emocionante, embora com estrutura óbvia e comum (vide as cenas iniciais que mostram que a protagonista é bem sucedida no amor e no trabalho, que serão abalados com o Alzheimer; o esquecimento numa palestra importante, a indicar que algo está errado; o jogo com palavras com a filha, que previsivelmente será o parâmetro da evolução da doença; a relação conturbada com a ...
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Spielberg mostra por que é um grande diretor na sequência inicial, ao apresentar, de forma ambígua e com poucas palavras, o personagem de Mark Rylance (em atuação marcante). A propósito, é genial e inesquecível o plano introdutório, em que se revela que Rylance está pintando um auto-retrato (cena cheia de significados, já que estamos lidando com espiões e descobertas de "identidades"). Com o tempo, no entanto, a trama se desenrola ...
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A sequência inicial é perfeita, notadamente porque retrata os dois temas que serão desenvolvidos: o hipócrita apartheid social entre patrões e empregados domésticos (simbolizado no "não tenho maiô" com que a empregada se nega a entrar na piscina, espaço nobre frequentado apenas por quem é da casa grande) e o abandono afetivo sofrido pelos filhos de pais cada vez mais ausentes de casa (simbolizado na pergunta do título feita pelo garoto ...
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A sátira de que o acaso e o improvável são guiados pelos deuses rende ótimas piadas, e, ante a origem judaica de Woody Allen, pode-se até vislumbrar no enredo central (menino inteligentíssimo é filho de uma prostituta) uma crítica sutil ao determinismo nazista de que os "puros" vêm dos "puros" e só neles há virtudes.
Brilhante adaptação da obra de Stephen King, com uma sofisticada e contundente crítica ao sistema penitenciário e ao mundo jurídico, que se considera mais efetivo do que na verdade é.
Filme que aguça os sentidos do espectador e define o sexo como verdadeiramente é: uma fonte de prazeres físico e carnal (aqui, são comuns as associações entre sexo e comida, de macarronadas a ostras). A sexualidade, por sua vez, é retratada ora como elemento que dispensa explicações (Emma é artista plástica passional, e Adèle estuda literatura mas detesta análise explicativa do que lê), ora como postura política do indivíduo (vide ...
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Depois de "Voo 93", Paul Greengrass volta a retratar o uso da violência, pelas sociedades subjugadas e miseráveis, contra o imperialismo norte-americano ("Vocês doam comida para a África porque vêm aqui, roubam nossos peixes e não deixam nada para a gente", desabafa o pirata somali para Phillips). Greengrass, portanto, escapa da armadilha hollywoodiana que costumeiramente enaltece o ufanismo e a xenofobia da América, o que faz bem para a ...
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Depois de "Os descendentes", Alexander Payne volta ao universo masculino inserido nos conflitos familiares e conduz uma narrativa trágica e cômica sobre a velhice, a passagem do tempo e a estagnação de vidas que buscam uma reviravolta (ainda que ilusória) para se manterem vivas. As interpretações são perfeitas, os diálogos, precisos e a América em preto e branco tenta ressuscitar o colorido perdido desde a crise econômica de 2008.
Clássico noir com personagens ambivalentes bem construídos e diálogos afiados, numa trama policial enxuta que perscruta a ambição capital do ser humano que vem de séculos.
Scorsese novamente explora seus temas prediletos para, por meio de uma narrativa segura e brilhante, mostrar uma América beligerante ("Todo mundo se odeia neste país?"), sangrenta, sarcástica, católica e com conflitos morais (saliente-se o jogo de luz e sombras usado no encontro de Nicholson e Dammon criança, enfatizando a maldade de um e a ingenuidade do outro). O bandido que se passa por detetive e o policial que se passa por gangster, ...
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Embora criador de belas imagens, Ridley Scott, munido de um roteiro esquemático e previsível, toca uma direção convencional (a associação óbvia de Ramsés e uma serpente para evidenciar sua vilania; Ramsés papeando com seu filho "Você dorme bem porque é amado" - uma cena extremamente constrangedora e deslocada que tenta, com superficialidade, perscrutar a personalidade amarga do irmão de Moisés; Deus que aparece apenas para Moisés, ...
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O irregular Barry Levinson faz um filme irregular que às vezes funciona (é hilária a sequência em que Al Pacino experimenta os efeitos de um relaxante muscular para cavalos) e outras pesa (cansa a personagem maníaca que pretende contratar Pacino para matar o marido). O miolo se resume à velha história do ator velho que questiona seu dom e perde o tesão na vida, até que encontra uma jovem cheia de tesão pra dar. É como se fosse um ...
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Inteligente e visionário no que se tornariam o entretenimento de massa, a banalização da fama e a superexposição de todo mundo (em que qualquer um pode se tornar celebridade, basta participar de algum reality show), "O show de Truman" traz um embate interessante entre o protagonista, que descobre a farsa que é a sua vida e tenta escapar da mentira, e Ed Harris, o diretor do programa, que se apresenta como um Deus bíblico, às vezes tirano ...
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Não se deixe enganar pelo início que promete a história de um homem controverso e polêmico, que vai suscitar grandes discussões no fim da sessão: o que se vê a seguir é uma trama capenga, manjada e acadêmica (as cenas do teste de Keira Knightley, do apoio do grupo de matemáticos quando o protagonista está prestes a ser demitido e do pedido de casamento seguem a cartilha do cinema enlatado). Benedict Cumberbatch é muito bom ator, mas ...
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Excelência técnica a serviço do belo no visual e no sentimento. O som do silêncio pontua o renascimento da protagonista, que busca força no vazio do espaço e daí retorna à Terra para viver o que lhe resta. É um filme para ser visto e contemplado várias vezes.
Suspense coeso e coerente que flerta com a crítica à escandalização pela mídia e aos casamentos que posam e postam de perfeitos nas redes sociais. E a grande conclusão dos últimos 20 anos é: David Fincher só sabe fazer filme bom.
Até tem valor a mensagem sobre o amor paterno e a necessidade de cada um se descobrir o que verdadeiramente é, mas nem todos os personagens funcionam (a guardete gordinha é insuportável) e algumas piadas são chatas e previsíveis (vide a cena de Pompeia).
O filme dos filmes, ante o esmero da produção, o deslumbre técnico (a montagem que, no batismo do afilhado, intercala a oração de Michael Corleone com os assassinatos de que ele é mandante; a fotografia excepcional, que explora a sombra nos negócios da máfia e o claro na relação de Michael com Apolônia, pura e virginal), o vigor do elenco, o roteiro que entrelaça as intrigas familiares com a disputa pelo poder, e a perfeição com que ...
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Com uma riqueza de olhares e expressões, Joaquin Phoenix está devastador no papel do solitário que se apaixona pela voz de um aplicativo de celular. Mas a grande sacada do filme é a profissão do protagonista, encarregado de escrever cartas sob encomenda: nessa terceirização de sentimentos, num futuro que ainda faz uso de um instrumento tão antiquado (carta), o principal alvo do diretor talvez não seja a tecnologia que escraviza, mas a ...
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Na exata medida do grotesco, com originalidade e desenvoltura, o filme tem momentos saudavelmente caricatos, que cumprem com louvor a missão de mostrar o quão ridículo e pouco civilizado pode ser o homem.
Angustia, apesar da previsibilidade do tom de revolta e indignação acerca do tema central. O enredo tem saltos que prejudicam a fluência da narrativa e o envolvimento emocional do espectador (às vezes há a sensação de que o filme não oferece mais do que uma colagem de cenas de tortura e sofrimento - muito bem realizadas, sem dúvida, mas que aos poucos vai tornando a coisa um pouco saturada). No mais, o ator principal encarna com louvor o ...
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A montagem estonteante e o roteiro irônico enobrecem essa fábula moderna sobre os artifícios da fama e os métodos amorais de uma mídia histérica, que ajuda no processo de distorção dos fatos e transforma em celebridade quem merece a repulsa da sociedade. Os números musicais não se passam no universo real dos personagens, mas no palco ou no tablado. Em outras circunstâncias, isso poderia tornar a obra excessivamente teatral; aqui, no ...
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Mais um filme auto-importante de Von Trier, preenchido por algumas reflexões tolas e pedantes, com cenas que explicitam o que é narrado, sem sutileza e com enfado. O diretor já havia mostrado sua filosofia de boteco em "Anticristo", mas ali havia ao menos o prólogo em preto e branco a justificar a ida ao cinema. Aqui, nada possui cacife para entrar para os anais da história.
Michael Keaton está arrasador como o ator decadente que, como todos nós, vive a grande angústia de fingir socialmente para ser acolhido e amado. Sua vulnerabilidade latente encontra em Edward Norton um "duplo" que, justamente no seu contrário, confirma essa necessidade de aceitação: se Keaton é inseguro, Norton é vaidoso, arrogante e cheio de si, mas em certo momento confessa que o palco é o único lugar em que ele não interpreta ...
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A biografia de Stephen Hawking é prejudicada por uma estrutura novelesca, careta e sentimental, que opta por enfocar o relacionamento com a esposa e a progressão da doença, numa luta contra o tempo e pelo amor. Redmayne tem interpretação física que o Oscar adora premiar, mas Felicity Jones ainda precisa comer muito arroz com feijão para se livrar de certos maneirismos (como o tremelique nos lábios e nas mãos para simular desespero e ...
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Inserido no subtexto político de uma América que tenta impor seus valores e interesses sob o discurso hipócrita da defesa da liberdade, John du Pont aprisiona os jogadores de seu time para fazer deles meros instrumentos de satisfação de sua personalidade possessiva, egoísta e manipuladora. A causa desses distúrbios talvez seja a relação fria com a mãe opressora (tanto que, quando ela morre, du Pont decide libertar os cavalos de ...
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Corajoso retrato do ódio racial que está nas raízes da formação da sociedade norte-americana, geralmente mais fortes do que os valores e a consciência individuais. Olhos voltados para o enredo pessoal do neonazista incorporado de maneira irrepreensível por Edward Norton (que, sem exageros ou artifícios, passa credibilidade na mudança de postura do personagem), sobressai a fotografia que mistura preto e branco com cores, a depender do ...
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Revolucionário nos efeitos especiais e na recriação extremamente realista dos animais extintos, "Jurassic Park" é o melhor Spielberg, e não chega a ser prejudicado por alguns diálogos medíocres e movimentos de câmera previsíveis. Isso porque o diretor é muito competente na construção da aventura e do suspense, e sabe fazer um filme "censura livre" (para conseguir a bilheteria almejada pelos estúdios) sem enfraquecer o espírito ...
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Crítica delirante e sarcástica a um Estado totalitário e opressor, mas às vezes necessário para frear a selvageria e a barbárie inatas ao ser humano. A história circular, em que se retorna para onde se começou, é um balde de água fria a quem acredita na evolução constante da humanidade.
Um dos melhores filmes de 2013, que aborda de forma profunda e pungente a ausência da racionalidade quando a falsa verdade é imposta pela histeria e pelo inconsciente coletivos. Mesmo nas sociedades mais evoluídas (como a cidadezinha europeia em que se passa a história), a caça aos animais por puro esporte põe em xeque essa suposta evolução, para lembrar que, no raso e no fundo, os homens quase sempre deixam transparecer seu lado bruto, ...
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O mundo e o hotel só emergirão da decadência, anunciada pelas guerras, com generosidade e certa dose de ingenuidade. Comédia visual delirante de Wes Anderson, enaltecida pelo elenco afiado. Trata-se de típico filme de autor, em que Anderson explora ao extremo seu estilo original. Nos atuais tempos em que predominam o insosso, o sem graça e a ausência de surpresas, não é pouca coisa.
Drama psicológico em que Woody Allen tenta ser Ingmar Bergman e usa todos os recursos estéticos (planos longos, lentos e estáticos) e temáticos (casamento fracassado, relações familiares conturbadas e amizades dissolvidas) para fazer um filme sério, profundo, chato e pretensioso. Na sessão de terapia em que se exorcizam os fantasmas do passado, a Mia Farrow grávida funciona como uma espécie de projeção do que Gena Rowlands é, foi ou ...
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A ousadia de filmar com os mesmos atores durante 12 anos para abordar a passagem do tempo não é puro maneirismo ou exibicionismo do diretor, que, ao contrário, aposta na discrição e na simplicidade para mandar o seu recado (vale conferir a bela elipse entre a sequência do padrasto alcoólatra que sai do carro para comprar bebida e a dele escondendo uma garrafa de uísque no armário, quando entre uma e outra imperceptivelmente se passaram ...
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A crítica ao excesso de tecnologia que causa interferência nas relações presenciais é contundente e atual, embora pouco criativa. De todo modo, filma-se bem o paradoxo de que o excesso de meios de comunicação à disposição vem causando, na verdade, isolamento, separação e crise na comunicabilidade, seja entre homens e mulheres, seja entre pais e filhos.