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spoiler:
O filme começa com as tristezas de um marido que perdeu a esposa devido a uma doença, e depois com a chegada de um cão, que aparentemente era um presente dela. As primeiras impressões do filme revelam um ocioso e rico personagem, que encontra passatempo em corridas solitárias com seu carro. Um personagem nem um pouco interessante e sem amor próprio, cuja razão de existir estava em sua esposa que faleceu, e que agora apenas vive seu luto (captei dessa maneira o início do filme, não me pareceu que a intenção era mostrar apenas o luto, mas sim que a vida dele era tediosa).
Como é um filme de ação, algo precisava acontecer, e o caminho que o filme traçou é realmente bem ruim. Tudo começa quando o filho riquinho de um senhor do crime cruza com John em um posto de gasolina e se interessa por seu veículo, um carro de colecionador, em uma cena clichê de disputa de ego típica de filmes de ação. Ao anoitecer, o filho riquinho e dois capangas invadem a casa de John para roubar esse carro, surram-no e matam cruelmente seu pequeno cachorro.
Pois bem, ao invés de John ir à polícia, que é o que qualquer pessoa comum faria, o filme começa a revelar que na verdade John é um assassino profissional aposentado, que largou a vida do crime para viver ao lado de sua falecida esposa. Nesse momento, John, rico, ocioso, e tendo entregue sua razão de existir agora ao cachorro, que ganhou de sua esposa, entrega-se à completa irracionalidade de querer vingança, e as cenas do filme até o final são marcadas por muita ação de ótima qualidade, seguindo um estilo "gamer" em que a mira da arma de John parece ser guiada pelo ponteiro do mouse. O filme força bastante na imortalidade de John nas cenas de ação, como adversários surgindo no momento certo para receberem um disparo, além de dois momentos em que John certamente teria morrido: o primeiro enquanto estava numa discoteca lutando contra um capanga, ele é derrubado pelo adversário, que fica em pé esperando ele se recompor, para que a luta continue, isso após uma série de tiroteios e muita morte! Essa cena é ruim porque não existe verossimilhança com a realidade; a outra se dá com a captura de John pelo senhor do crime, que o amarra com uma cordinha certamente para ele escapar.
Uma observação: parece que John recupera totalmente o sentido de sua vida quando ele volta a matar! E temos um homicida que em nenhum momento fraqueja diante de um alvo. John havia abandonado a vida de matador por uma mulher, e não porque matar é errado ou qualquer coisa assim. Temos um personagem completamente irracional, sedento por sangue e vingança que os filmes de ação americanos adoram!
Um elemento que achei bacana é a relação de amizade de John com um antigo companheiro de matanças, que foi contratado pelo senhor do crime para matar John, mas que resiste ao dinheiro em nome da amizade e aparece no filme duas ou três vezes apenas para salvá-lo. Ao final do filme, ele é torturado e assassinado pelo senhor do crime que, desesperado e insano após ter entregado seu filho para a morte, quer se vingar de John.
Achei muito boa a atuação do senhor do crime, que carrega em si a figura do terrível mafioso e também do humano, e que após dizer para John o lugar onde seu filho estava, apenas para salvar a própria vida, torna-se emocionalmente vulnerável e até um pouco insano, basta lembrar dele rindo enquanto John o perseguia com seu carro.
Apesar de diversas cenas que já vimos em quase todos os filmes de ação, achei bacana assistir John Wick, é um filme que dá para se divertir uma vez.