Pierre C.
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Livrai-nos do Mal
Livrai-nos do Mal
3,0
Enviada em 30 de setembro de 2014
Scott Derrickson é um diretor já conhecido entre os fãs de cinema de terror e suspense. Responsável por filmes como "O Exorcismo de Emily Rose", "O Dia em que a Terra Parou" e "A Entidade", este americano demonstra ter grande habilidade em criar atmosferas sombrias e malignas.

Em "Livrai-nos do Mal" ele consegue este mesmo clima com bastante êxito. A história mostra a rotina de um policial que se depara com estranhos acontecimentos: um bebê jogado ao lixo, uma mulher que atira o filho aos leões, um homem que ataca violentamente a esposa. A partir daí a narrativa vai se desenvolvendo e, pouco a pouco, o espectador vai descobrindo as verdadeiras razões dessas manifestações.

Derrickson encaminha sua história para a questão da libertação e manifestação do mal e utiliza o exorcismo como forma de defesa. O resultado disso tudo é uma obra tensa e repleta de clichês do gênero que, de uma forma ou outra, fazem o filme caminhar. Muito mais do que o próprio terror em si, o que mais prende a atenção do público é a descoberta dessa manifestação do mal e todos que a ela estão ligados. Esse é o grande mistério da narrativa.

A Direção de Fotografia aposta em ambientes de pouca luz. Isso, obviamente, traz um clima obscuro e serve para intensificar a agonia do espectador diante daquilo que não pode ver com total clareza. Fora isso, nos deparamos com o velho dilema: a luta do bem contra o mal, da luz contra as trevas. Nada original, mas funcional.

O que fica também bastante evidente aqui é a questão da fé humana e o vínculo com a religião. Vemos isso claramente na figura do policial, um católico quando criança e que hoje já não dá importância a isso. Já o padre possui um ar contemporâneo e revela um passado com alguns "deslizes" que foram superados através de sua crença. Isso sem falar nos objetos de cena: o Cristo na parede, os crucifixos, a água benta. E à medida que a história avança vai ficando claro para a plateia que a fé pode mudar o ser humano, tornando-o melhor de alguma maneira.

Não há dúvidas de que "A Entidade", obra que dirigiu anterior a essa, foi bastante superior em termos de Roteiro. "Livrai-nos do Mal" está muito distante de ser um filme grandioso. Certamente nem foi feito pensando nisso. É uma obra interessante, que rende um ou outro susto e segue a escola do gênero de forma fiel. Nada além disso.