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Quase uma obra-prima, faltou pouco. Talvez implicância minha com alguma solução simplista ou novelística demais. Mas, em sua maior parte, PARASITA provoca incontáveis emoções. Um filme montanha-russa, alterna momentos cômicos com outros de roer unhas, de rir de incômodo ou de derreter o coração. Merecidamente levou, neste ano, a Palma de Ouro em Cannes. Creio ser muito difícil um filme divertir, emocionar e ainda conter uma crítica social tão intensa. Numa Coréia do Sul onde a tecnologia 'infinitos G' anda de mãos dadas com a opulência e caminha ao lado da pobreza, da sujeira e da falta de perspectivas. O cineasta Bong Joon-Ho é um prodígio em criar emoções extremas em situações-limite (como em MOTHER).
Um modo perturbador de filmar que nunca desanda para a provocação vulgar: a chuva-espetáculo para os patrões é alagamento para os serviçais. Os espaços sofisticados são amplos, contrastando com a pequenez dos cubículos dos periféricos. A patroa importa produtos norte-americanos, a governanta despedida faz uma imitação barata de uma apresentadora da tv norte-coreana. Extremos. A parte final é brilhante, numa cadência de cenas surpreendentes. Para quem aprecia cinema bem realizado, é jóia a ser guardada.
Um modo perturbador de filmar que nunca desanda para a provocação vulgar: a chuva-espetáculo para os patrões é alagamento para os serviçais. Os espaços sofisticados são amplos, contrastando com a pequenez dos cubículos dos periféricos. A patroa importa produtos norte-americanos, a governanta despedida faz uma imitação barata de uma apresentadora da tv norte-coreana. Extremos. A parte final é brilhante, numa cadência de cenas surpreendentes. Para quem aprecia cinema bem realizado, é jóia a ser guardada.