D. Fernandes
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O Jogo Da Imitação
O Jogo Da Imitação
4,0
Enviada em 23 de janeiro de 2015
GENIAL! Uma palavra que resume "O Jogo da Imitação", com certeza, é 'GENIAL'. Sou bacharel em Ciência da Computação, consequentemente, um cientista, não da forma generalizada do termo, muito menos com os clichês conhecidos por todos os cantos do planeta - nem todo cientista é um nerd, que não tem vida social nem amigos, o que, no caso de Alan Turing, é exatamente o retrato descrito. Estudei a vida e o trabalho deste grande gênio da nossa era e pelos livros e artigos que li e seminários que apresentei, posso dizer que o longa metragem retrata e muito bem, a experiência terrena desta alma iluminada. Dotado de enorme sensibilidade (e porque não dizer genialidade idem), Benedict Cumberbatch deu mais vida a Turing do que qualquer outro ator desta geração conseguiria. Smaug (para quem viu/ouviu "O Hobbit"), Dr. Who/Sherlock Holmes (para os amantes de séries) ou Dr. Estranho (para quem o verá no Universo Marvel), dentre outros inúmeros papéis muito bem interpretados pelo ator, dão a Cumberbatch, na minha opinião, a pose de um forte candidato ao Oscar de Melhor Ator, se não na premiação deste ano, nas próximas. É impossível não se atentar aos fatores psicológicos adotados em sua atuação, desde a arrogância e sinceridade ingênua, até a audácia e liderança natural de um gênio. Quando questionado que 'para se fazer de gênio, é preciso ser um gênio', ele simplesmente responde 'eu o sou'. Mas para fazer o protagonista brilhar precisamos completá-lo, ele não atua sozinho, não é um monólogo e o diretor Morten Tyldum é o grande responsável por unir neste time que atuou com extrema eficácia, nomes como Keira Knightley, Matthew Goode, Allen Leech, Matthew Beard, Mark Strong e o sempre incrível Charles Dance completam o elenco do filme. A ambientação da Grã-Bretanha durante a Segunda Guerra Mundial também é um ponto forte a ser observado, fora o intrincado sistema de segurança e espionagem utilizado pelos países envolvidos no evento catastrófico, que maculou mais uma vez a história da humanidade. Como profissional da área de produção musical, não posso deixar de dizer que Alexandre Desplat é outro nome que merece muita atenção por parte de toda a crítica, pois a trilha sonora é sutil, poderosa, marcante e pontual, todas as características necessárias para ambientar o espectador sem tirá-lo do foco na tela. Não é a toa que é o único compositor indicado na categoria MELHOR TRILHA SONORA com dois (repito, DOIS filmes) para a edição deste ano do Oscar, "O Jogo da Imitação" e o ótimo "O Grande Hotel Budapeste" (2014). Fico totalmente dividido nesta escolha, além de ter a opção de torcer também pelo ícone Hans Zimmer, que compôs sublimemente para "Interestelar" (2014). Desplat tem participado de muitos projetos interessantes, acompanho seu trabalho desde "A Bússola de Ouro" (2007) e de lá para cá outros filmes importantes tem ascendido sua carreira, como "O Curioso Caso de Benjamin Button" (2008), "O Discurso do Rei" (2010) e ambas as partes de "Harry Potter e as Relíquias da Morte" (2010 e 2011). "O Jogo da Imitação" é um filme sensível e ligeiramente complexo. Não peça a um gênio que explique o seu raciocínio, isso só irá atrasá-lo e não peça a um humano que explique seus mais intrincados segredos, isso só irá matá-lo aos poucos, por dentro, na alma. Alan Turing #partiu por conta própria e é por causa dele que hoje você lê esta singela crítica.