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Django Livre, mais um filme do gênio do cinema contemporâneo Quentin Tarantino, indicado ao Oscar 2013 em cinco categorias, levando os prêmios de Roteiro Original e Ator Coadjuvante.
Este filme é mais uma carta de amor de Tarantino a um de seus gêneros favoritos, dessa vez o Western, só que um pouco mais comedido, centrando mais na construção dos personagens ao invés de criar um enredo que nos entregue um faroeste á moda antiga.
Tarantino usa todos os clichês conhecidos de Westerns antigos na sua forma de dirigir o filme, temos takes faciais em momentos não esperados, temos música texana inserida em momentos chave dos personagens, temos grandes tomadas de tiros e frases de efeito.
O roteiro do Django Livre foi muito bem escrito e redigido, sem nenhum furo, totalmente fechado em seu propósito sem desviar em tramas secundárias desnecessárias, aqui o roteiro procura em focar na construção do personagem Django, e em sua mudança não de caráter, mas sim de personalidade enquanto o filme se desenrola. De um simples escravo que mal se portar entre pessoas para alguém que desenvolve uma personalidade áspera e inteligente para lidar com situações de grande estresse, além de ter uma mira infalível. Todos esta história se passa no fim dos anos 1800, anos antes da guerra civil americana, aonde a escravidão era constante em todo território americano, e Tarantino quis nos passar isso de uma forma mais despretensiosa, sem apelação, mas também sem se aprofundar demais no tema da escravidão em si, ele nos mostra como isso se desenrola na época, mas inserindo sem rédeas a questão do preconceito desenfreado naqueles tempos, e a visão de que o negro não deve ser livre, e que é uma afronta termos um fazendo coisas que os brancos normalmente fazem, e mesmo sendo criados respeitados como 'Stephen', precisam ser colocados em seu devido lugar.
Christoph Waltz levou o Oscar de Ator Coadjuvante pelo sua interpretação de Dr.King Schultz, não só merecido o prêmio, como na minha mais modesta opinião a melhor interpretação do filme. Waltz deu um tremendo show, fica até difícil dizer onde ele está melhor, aqui ou em 'Inglórios'. É de encher os olhos, seu personagem além de ser muito confiante, sempre está um passo a frente de seus opositores, e sabe exatamente o que fazer, como fazer e como se portar, dificilmente perdendo a calma. Serve como uma espécie de tutor para Django.
Jamie Foxx fez um excelente trabalho como Django, deu uma personalidade ao personagem que só ele mesmo conseguiria entregar, o personagem caiu como uma luva á ele e fica difícil imaginar alguém o substituindo no filme. Á medida que o personagem cresce no filme, Jamie vai crescendo também em sua interpretação. Um dos seus melhores trabalhos no cinema, com total certeza (além de fazer parte da trilha sonora do filme).
Leonardo DiCaprio fez um papel que você não o vê fazer normalmente no cinema, aqui ele é uma espécie de antagonista, não sendo propriamente um vilão, DiCaprio teve mais liberdade artística para moldar o personagem e entregar uma interpretação autêntica de alguém que segue seus princípios, apesar de ter uma personalidade um tanto quanto inescrupulosa. Ou seja, um show de interpretação.
Samuel L. Jackson em mais uma de suas inúmeras parcerias com Tarantino interpretou Stephen, criado de Calvin Candie (DiCaprio), e sim, merecia uma indicação á Ator Coadjuvante. Não parece que Jackson está interpretando, a tamanha familiaridade com o papel e o tema abordado no filme, Jackson sabia exatamente o que fazer com o personagem, que trejeitos lhe oferecer e também como o deixar hostil, sagaz e altruísta. Seguindo a linha de pensar somente em si e levar proveito nisso, Stephen é o típico criado desprezível, alguém que não se confia e não se chega perto, há muito preconceito em alguém que faz parte de um grupo que sofre há anos com os mais diversos mal-tratos que ninguém deveria sofrer... e como Jackson nos passa isso de uma forma singela e feroz. Uma puta interpretação.
Só posso simplificar e dizer que Django Livre é uma obra prima que todo cinéfilo que se preze deve não só assistir como ter uma cópia guardada em sua casa com carinho.
Temos ali nos seus 20 minutos finais, em minha modesta visão, uma pequena derrapada com Django, tendo uma pose de herói de faroeste que não era necessária até pela construção do personagem durante o filme. Ali tivemos uma pequenina amostra de arrogância em sua personalidade, bem demonstrada na cena final onde ele explode a residência de Calvin e em pé assiste a tudo sem sofrer impacto da explosão e montando em seu cavalo, exibe alguns truques ensinados pelo ator Jamie Foxx, uma vez que o cavalo é realmente seu, não entendendo o porque de demonstrar algo que não se aplica em seu encerramento de jornada. Porém, não pode ser algo determinante para se tirar o brilho de uma obra-prima como essa.
Boa Tarantino.
Este filme é mais uma carta de amor de Tarantino a um de seus gêneros favoritos, dessa vez o Western, só que um pouco mais comedido, centrando mais na construção dos personagens ao invés de criar um enredo que nos entregue um faroeste á moda antiga.
Tarantino usa todos os clichês conhecidos de Westerns antigos na sua forma de dirigir o filme, temos takes faciais em momentos não esperados, temos música texana inserida em momentos chave dos personagens, temos grandes tomadas de tiros e frases de efeito.
O roteiro do Django Livre foi muito bem escrito e redigido, sem nenhum furo, totalmente fechado em seu propósito sem desviar em tramas secundárias desnecessárias, aqui o roteiro procura em focar na construção do personagem Django, e em sua mudança não de caráter, mas sim de personalidade enquanto o filme se desenrola. De um simples escravo que mal se portar entre pessoas para alguém que desenvolve uma personalidade áspera e inteligente para lidar com situações de grande estresse, além de ter uma mira infalível. Todos esta história se passa no fim dos anos 1800, anos antes da guerra civil americana, aonde a escravidão era constante em todo território americano, e Tarantino quis nos passar isso de uma forma mais despretensiosa, sem apelação, mas também sem se aprofundar demais no tema da escravidão em si, ele nos mostra como isso se desenrola na época, mas inserindo sem rédeas a questão do preconceito desenfreado naqueles tempos, e a visão de que o negro não deve ser livre, e que é uma afronta termos um fazendo coisas que os brancos normalmente fazem, e mesmo sendo criados respeitados como 'Stephen', precisam ser colocados em seu devido lugar.
Christoph Waltz levou o Oscar de Ator Coadjuvante pelo sua interpretação de Dr.King Schultz, não só merecido o prêmio, como na minha mais modesta opinião a melhor interpretação do filme. Waltz deu um tremendo show, fica até difícil dizer onde ele está melhor, aqui ou em 'Inglórios'. É de encher os olhos, seu personagem além de ser muito confiante, sempre está um passo a frente de seus opositores, e sabe exatamente o que fazer, como fazer e como se portar, dificilmente perdendo a calma. Serve como uma espécie de tutor para Django.
Jamie Foxx fez um excelente trabalho como Django, deu uma personalidade ao personagem que só ele mesmo conseguiria entregar, o personagem caiu como uma luva á ele e fica difícil imaginar alguém o substituindo no filme. Á medida que o personagem cresce no filme, Jamie vai crescendo também em sua interpretação. Um dos seus melhores trabalhos no cinema, com total certeza (além de fazer parte da trilha sonora do filme).
Leonardo DiCaprio fez um papel que você não o vê fazer normalmente no cinema, aqui ele é uma espécie de antagonista, não sendo propriamente um vilão, DiCaprio teve mais liberdade artística para moldar o personagem e entregar uma interpretação autêntica de alguém que segue seus princípios, apesar de ter uma personalidade um tanto quanto inescrupulosa. Ou seja, um show de interpretação.
Samuel L. Jackson em mais uma de suas inúmeras parcerias com Tarantino interpretou Stephen, criado de Calvin Candie (DiCaprio), e sim, merecia uma indicação á Ator Coadjuvante. Não parece que Jackson está interpretando, a tamanha familiaridade com o papel e o tema abordado no filme, Jackson sabia exatamente o que fazer com o personagem, que trejeitos lhe oferecer e também como o deixar hostil, sagaz e altruísta. Seguindo a linha de pensar somente em si e levar proveito nisso, Stephen é o típico criado desprezível, alguém que não se confia e não se chega perto, há muito preconceito em alguém que faz parte de um grupo que sofre há anos com os mais diversos mal-tratos que ninguém deveria sofrer... e como Jackson nos passa isso de uma forma singela e feroz. Uma puta interpretação.
Só posso simplificar e dizer que Django Livre é uma obra prima que todo cinéfilo que se preze deve não só assistir como ter uma cópia guardada em sua casa com carinho.
Temos ali nos seus 20 minutos finais, em minha modesta visão, uma pequena derrapada com Django, tendo uma pose de herói de faroeste que não era necessária até pela construção do personagem durante o filme. Ali tivemos uma pequenina amostra de arrogância em sua personalidade, bem demonstrada na cena final onde ele explode a residência de Calvin e em pé assiste a tudo sem sofrer impacto da explosão e montando em seu cavalo, exibe alguns truques ensinados pelo ator Jamie Foxx, uma vez que o cavalo é realmente seu, não entendendo o porque de demonstrar algo que não se aplica em seu encerramento de jornada. Porém, não pode ser algo determinante para se tirar o brilho de uma obra-prima como essa.
Boa Tarantino.