Airton Reis Jr.
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Star Wars: O Despertar da Força
Star Wars: O Despertar da Força
3,0
Enviada em 18 de dezembro de 2015
O Episódio VII da Saga Star Wars - O Despertar da Força era muito ansiado. O filme não decepciona no aspecto cinematográfico, extremamente bem produzido com elenco bem dirigido. Os antigos protagonistas da série continuam emocionando, principalmente pela nostalgia em que a visão maniqueísta se sustentava facilmente pela existência da guerra fria, quando parecíamos saber quem era bom ou mau. Sem a cisão ideológica clara, que fazia parte da guerra fria, o maior desafio dessa continuidade será justamente esse: como fazer os espectadores aderirem aos "bons" ? O que distingue "bons" e "maus" ? O que é bom ou mal tornou-se uma profissão de fé. A mim, particularmente a trama afetou sobremaneira pelo desfecho dado a um dos meus personagens preferidos. Foi como um espelho, que fez ruir as últimas dúvidas que tinha sobre o sentido movediço de verdade e mentira e bem e mal. Nesse sentido, Star Wars - O despertar da força mostra que a adesão a uma luta ou a uma causa está além de uma compreensão racional. Seria a Força a possibilidade de uma visão abrangente que acabe com a visão maniqueísta? J.J. Abrams, não sei se conscientemente, reforça a ideia de que o gatilho para o mal está na própria resistência. Foi assim com Anakin Skywalker/Darth Vader (Hayden Christensen) e agora com Kylo Ren (Adam Driver), que personificam o próprio "mal". É interessante observar como tanto o Império quanto a Rebelião parecem consumir os recursos da galáxia para afirmação do seu ponto de vista; isso se reflete no Tatooine (planeta de Luke) e agora no planeta Jakku (de Ray), devastados em seus recursos naturais e sem água. Notem que a guerra, a partir do momento da retomada do enredo, já dura trinta anos, o que demonstra que para além do bem e do mal, o principal legado da guerra dos rebeldes contra o Império e agora contra a Primeira Ordem é a destruição dos meios para a sobrevivência de qualquer povo, seja adepto de um ou de outro lado. Algo para se pensar nos dias atuais, quando o acirramento das lutas políticas parece estar conduzindo países como o Brasil e a Venezuela à depressão. A Venezuela ameaça constituir um parlamento paralelo. Seriam as forças rebeldes ultrapassando a ficção científica e tornando-se realidade? Outra reflexão que O Despertar da Força sugere é: será que tem motivação a ansiedade gerada pela psicologia para os pais que não têm tempo para os filhos e os possíveis danos que essa ausência causa para o futuro, ou será que a presença excessiva gera filhos acomodados, mal formados, resistentes ao trabalho e a tudo o que parece razoável e capazes de remover qualquer “obstáculo”, o qual é descartado sem a menor cerimônia, apenas para satisfazer seus caprichos mais polêmicos? A Força deve ser libertária!