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Fazia tempo que não via um filme tão terno. Philomena (Judi Dench) é uma mulher que viveu angustiada com um segredo do seu passado: uma gravidez adolescente, a qual enfrentou com o estoicismo que poucos de nós, da terra do samba, da nudez e da sensualidade precoce entenderíamos. Sua gravidez foi um momento de ruptura radical dos laços familiares, que culminaram com a sua internação em um convento voltado para as mães solteiras "Madalena", uma alusão à personagem bíblica Maria Madalena, que quase foi apedrejada pelos seus pecados. Assim, existindo entre as amizades compulsórias de outras meninas que dividiam com ela a cumplicidade do pecado, Philomena vê seu filho Anthony ser tirado de si por pais americanos adotivos, ocasionando uma nova ruptura materno-filial, a qual repercutirá no futuro no desejo de resgate. E é essa história que é contada com muita sensibilidade pelo diretor Stephen Frears. Para auxiliá-la em sua jornada Philomena conta com a ajuda do ex-jornalista da BBC Martin Sixsmith (Steve Coogan). É muito interessante ver o contraponto entre a falta de diplomacia e arrogância que transbordam da personalidade de Sixsmith, decorrente do ateísmo e do exacerbado materialismo e a tranquilidade e a relativa paz de Philomena, que continua católica e cheia de fé, em que pese o que poderia ser interpretado como uma deslealdade da Igreja a qual insiste em defender. Dench sustenta esse temperamento com extrema sensibilidade, dando veracidade à película. A história, inspirada em fatos reais diga-se, confirma a premiação das características da protagonista que vai descobrindo que empreendeu uma busca recíproca e ao seu bom espírito fica assegurada a paz dos justos com retidão na fé. Filme emocionante e envolvente.