Airton Reis Jr.
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Noé
Noé
3,0
Enviada em 7 de abril de 2014
Estava muito entusiasmado para assistir a esse candidato a blockbuster. As críticas que li não eram muito animadoras: "sequências de lutas que pareciam ter sido descartadas em 'Senhor dos Anéis'; Crowe com desempenho fraco". Mas em uma entrevista com Darren Aronofsky - brilhante em "Cisne Negro" -compreendi que havia uma forte ligação afetiva do diretor com a conhecida história bíblica. Acho que a conduta do elenco, liderado por Russell Crowe (Noé) e Jennifer Connelly (Naameh), foi basicamente contida, assim como o uso de efeitos especiais pelo diretor, acredito eu em uma postura reverente à história do patriarca bíblico, caro tanto para os judeus como para os muçulmanos, e mesmo assim provocou controvérsias que resultaram na proibição do filme em alguns países. De minha parte, recebi o produto que esperava. A história bíblica estava lá, com ênfase para os dilemas humanos de antes e de hoje, a questão da sustentabilidade e o respeito à dádiva que é o nosso planeta ou Jardim do Éden, ao fato do mal e do bem fazerem parte do ethos de cada ser humano e o amor do Criador, capaz de sublimar as fraquezas humanas, sempre disposto a oferecer uma outra chance. Pensei muito na demagogia que permeia as ações políticas no mundo contemporâneo e que resume tão bem essa dualidade: sob a retórica de oferecer o bem, pratica-se o mal violando os preceitos mais elevados da conduta reta. Como o Noé vascilante entre cumprir a ordem do Criador que incluía a sua própria extinção e dos seus amados, ou seja, sendo impopular e reto, do mesmo jeito caminha a humanidade no jogo impossível de proteger a Terra sem contrariar interesses conflitantes, em especial do consumo desenfreado e na acumulação supérflua. Estamos dentro da arca que é o próprio planeta Terra, conseguiremos atracá-la em segurança ou vamos destruí-la ?