Filmes
SériesProgramas
"Capitão Philips" é um filme que demonstra o esmero técnico do cinema norte-americano, mas a história é tediosamente previsível, servindo mais para entreter do que para surpreender o espectador. Se esse é o seu caso, como é o meu, provavelmente você considerará o filme fraco. No entanto, de tão bem feito, é didático para oferecer um contraponto entre culturas ainda seduzidas pelo discurso da "luta de classes" e a eficiência tecnológica dos americanos, a qual acoberta até mesmo a sua notável incompetência operacional. Assim, é que se torna impressionante que quatro piratas somalis consigam abordar e render o capitão do superequipado navio MV Maersk Alabama em uma lancha precária com motor a popa, e depois a dificuldade e o planejamento meticuloso e extremamente complexo, o qual quase custou a vida do refém norte-americano, executado com o apoio de helicóptero e três navios da marinha fortemente armados, liderados pelo contratorpedeiro USS Bainbridge e com o apoio dos SEALs da marinha. É uma luta de Davi contra um Golias tão atrapalhado com seus apetrechos de última geração, que torna impossível deixar de pensar nas derrotas impostas aos americanos por guerrilheiros quase desarmados, mas extremamente idealistas como os vietcongues e a luta para deter Osama Bin Laden, escondido no Afeganistão e no Paquistão. Outro contraponto interessante é o insight que acomete o Capitão Richard Phillips (Tom Hanks), que se solidariza com seus próprios captores diante dos recursos desiguais os quais têm que enfrentar, e o seu instinto inicial protetor em relação ao adolescente Bilal, diante do desfecho que o mesmo antevia para a crise na qual se encontrava. Interessante também ver homens em seu estado bruto, e a violência que decorre da tensão que se instaura, bem representada pela testosterona pura de Faysal Ahmed (Najee). Filme bem feito e bom entretenimento, mas com história previsível.