Airton Reis Jr.
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Nebraska
Nebraska
3,0
Enviada em 15 de fevereiro de 2014
O enredo do filme é profético para aqueles que acreditam irrestritamente nas prometidas recompensas oferecidas pelos sistemas à nossa espreita, Feito em P&B talvez reflita o ambiente desilusório que se descortina na tela: um casamento infeliz, um homem que se ancora na credulidade como uma forma de se manter vivo, pessoas indiferentes e, afinal, um filho que resgate essa personagem do não-viver, do não-existir, oferecendo uma ultra dose de credulidade, para oferecer algum alento a uma alma atormentada. A história é simples e poderia certamente ser contada em menos tempo; mas, diante da crueza do mundo em que vivemos o filme é didático para ensinar que somos responsáveis pelas pessoas que estão próximas a nós, que não devemos tripudiar das fraquezas alheias, nem esboçar o abandono diante dos desafios da convivência. O filme, cinza como a técnica em que foi criado, se torna extremamente lírico a partir do momento em que David Grant (Will Forte) encara o desafio de resgatar seu pai Woody Grant (Bruce Dern) dos seus delírios, oferecendo-lhe uma dose maciça de credulidade e solidariedade, sem julgamentos. Ao mesmo tempo David se fortalece e inconscientemente promove o seu próprio autoresgate, de uma vida medíocre, do abandono em que impera a falta de iniciativas. O filme conclui acertadamente que somos responsáveis pelos nossos próprios sonhos e na medida do possível, do nosso entusiasmo e disposição, dos sonhos daqueles que dependem de nós, ainda que seja para inspirar o outro a ter mais credulidade no outro e em um futuro melhor. Assim como em "Os descendentes", Alexander Payne demonstra sensibilidade para os dilemas humanos. Vale a pena assistir.