Airton Reis Jr.
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Robocop
Robocop
4,0
Enviada em 31 de agosto de 2015
Aviso aos navegantes que minha avaliação de "Robocop", do nosso brazuca José Padilha, é muito mais pelo rompimento do paradigma. Estamos com os dois pés em Hollywood, onde antes só algumas estrelas isoladas tinham se firmado, numa megaprodução com direito a efeitos especiais e o comando de um elenco estelar, estamos prontos para trabalhar com o formato americano, só falta a contribuição de um conteúdo genuinamente nacional. E há muitas histórias excelentes esperando para ser contadas. Robocop é um filme que atualiza e incrementa o original, trazendo um pouco do ponto de vista de Padilha. Está lá a crítica aos sistemas de segurança repressivos, que tem ligação estreita com a criminalidade, que já foi tratada de forma brilhante em "Tropa de Elite", com muito menos dinheiro, é verdade. Dá para sentir um pouco a influência da indústria cinematográfica no ritmo da trama, pois toda vez que se toca nesse tema, caro ao diretor, a abordagem é rápida e superficial, prevalecendo o showbiz; por isso a ênfase ao entretenimento transforma o filme em diversão pura, um blockbuster dos melhores. Norton (Gary Oldman), um cientista da Fundação OCP, e Abbie Cornish (Clara Murphy), esposa de Alex Murphy (Joel Kinnaman) são o contraponto à visão maniqueísta do lucro defendida pela personagem Raymond Sellars (Michael Keaton) e da ética, representada pelo senador Dreyfuss (Zach Grenier), que se tornam os núcleos em torno dos quais as demais personagens se alinham. Pat Novak (Samuel L. Jackson) faz um divertido jornalista sensacionalista, que está a cara do James Brown, defensor de ideias reacionárias norteadas por maior eficácia na busca da "Segurança", o que estamos muito acostumados a ver no Brasil. Algumas tomadas demonstram bem como os americanos são perdulários e nos faz pensar o porquê de a sociedade americana sozinha consumir um terço dos recursos mundiais: um helicóptero é utilizado com todo um cast de figurantes apenas para arremeter o pouso. Seria interessante saber se foi utilizado um helicóptero de verdade para essa cena, com tantos recursos videográficos. É muito bom ver vários nomes conhecidos nos créditos finais. Enfim, é o nosso Padilha. Vamos vê-lo!