F. V. Fraga
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Boyhood - Da Infância À Juventude
Boyhood - Da Infância À Juventude
4,5
Enviada em 4 de dezembro de 2014
Richard Linklater é um dos diretores americanos, da atualidade, que mais se compromete com um projeto. BOYHOOD – Da Infância à Juventude (Boyhood, 2014), que levou mais de uma década para ser produzido é uma prova disto, pois só alguém que acredite no valor do seu trabalho empreende tamanho esforço. Este longa-metragem audacioso, que estreou em Porto Alegre na última semana, em uma mísera sala, merecia mais destaque.

A história acompanha o personagem Mason (Ellar Coltrane) desde os seus seis anos de idade até os seus dezoito. Aqui está a grande sacada, que faz esse filme ser diferente - o diretor, de fato, filmou ao longo de 12 anos o desenvolvimento e o crescimento do garoto. A equipe iniciou as filmagens em 2002 e todos os anos se reunia durante três ou quatro dias para filmar mais algumas tomadas, até finalizar o projeto em 2013. Desta forma, o que vemos não é uma dramatização do crescimento e amadurecimento de uma pessoa, mas quase um documentário sobre isso.

A vida do personagem, que aos seis anos é filho de pais divorciados e tem uma irmã um pouco mais velha que ele, não tem nenhuma aventura grandiosa como nas histórias dos últimos filmes sobre o público infanto-juvenil que temos visto nos cinemas. Aqui ele vive situações corriqueiras, como as que quase todo mundo vivenciou, problemas com os pais, trocar de cidade ou escola, romper laços com pessoas da família ou amigos, decepções, amor, compartilhar coisas e sentimentos, enfim, coisas sobre a vida humana comum. As passagens de tempo não são marcadas e nem sinalizadas pelo diretor, essa percepção está na transformação da aparência física dos atores, nas músicas e games, nas roupas, na tecnologia e na citação de alguns fatos da cultura em geral dos últimos anos.

O elenco está afinado, transmitindo uma sensação de intimidade familiar, com destaque para Patricia Arquette e Ethan Hawke nos papéis dos pais do menino. Cada um a sua maneira, também em processo de amadurecimento, pois se percebe que eles tiveram filhos e grandes responsabilidades muito cedo, o que resultou no seu divórcio. Ela tendo que criar seus filhos e ao mesmo tempo tentando ter uma profissão e melhorar sua vida. Ele um pai jovem e despreparado, com muitos sonhos, várias frustrações e poucas realizações. Coltraine está preciso como Mason em todo o seu processo de crescimento, até porque se nota que ele está passando por situações de aprendizado, assim como seu personagem. Sua irmã que é interpretada pela filha do diretor, Lorelei Linklater, não tem uma grande atuação, mas também não compromete o filme, bem como o resto do elenco de apoio.

A direção é essencial para a qualidade do filme e o roteiro intimista, cheio de conversas corriqueiras e verossímeis, ao estilo da trilogia “Before” - Antes do Amanhecer "Before Sunrise" (1995), Antes do Pôr-do-sol "Before Sunset" (2004) e Antes da Meia-noite "Before Midnight" (2013) - obras-primas de Linklater, que também tem Hawke no elenco. Para a audiência desatenta, às duas horas e quarenta de filme, podem soar um tanto longas demais e sem grandes ações e reviravoltas. Porém, olhe com atenção e deguste com o coração, pois o que se vê em tela é a sensibilidade de um diretor em mostrar de maneira semidocumental, como os anos transformam um menino em um homem.

Nota: 9,0 (Excelente

“A vida não vai dar traves de proteção”