Sidnei C.
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Capitão América 2 - O Soldado Invernal
Capitão América 2 - O Soldado Invernal
4,0
Enviada em 26 de setembro de 2014
Os filmes da Marvel sempre abordaram uma temática básica, e desde sua compra pela Disney, eles sempre misturam humor e ação. Foi o que popularizou filmes como Homem de Ferro, Thor e o primeiro Capitão América, arrematando tudo com Os Vingadores em 2012.

Mas o que preparam para a parte 2 do filme do “Capitão América” foi algo totalmente novo dentro do universo que conhecemos da Marvel, primeiro por ausentar totalmente o humor e segundo por deixar ele mais sério. Com uma temática mais adulta e interessante, eles abordam a espionagem como um dos temas principais no filme. O capitão começa a sofrer com a crise de ser uma pessoa de outra época e tenta se atualizar com os eventos, pessoas e pensamentos de outro tempo. Uma coisa bem legal para se explorar dentro do filme, e também por não ficar obcecado nisso, como no filme do Thor, é o fato dele não se aceitar para ficar no lugar do pai na parte 2 do filme. Ou até o Hulk na produção de 2008, que poderiam mudar um pouco essa temática, tentando eliminar de vez o monstro que está dentro dele, ao invés dele aceitar esse fardo e usá-lo para um bem maior. Mas acertaram com o gigante esmeralda nos Vingadores pelo menos.

Steve Rogers (Chris Evans) agora trabalha em tempo integral para a S.H.I.E.L.D, e tenta lutar por um mundo que ele não conhece mais e por valores que são ultrapassados ou considerados “inúteis” em tempos atuais, ao passo que ele tem que lidar com essa frustração. Ele é exposto num esquema de espionagem dentro de sua própria companhia. A S.H.I.E.L.D é sabotada e atiram em Nick Fury (Samuel L. Jackson). Steve então começa a investigar o que está por trás da tentativa de assassinato de Fury e o que tanto acontece nos corredores que é coberto por Alexander Pierce (Robert Redford). Redford que está incrível no filme e liga todos os pontos, faz do filme uma espécie de referência aos filmes clássicos de espionagem como o próprio Todos os Homens do Presidente e Três dias de Condor, ambos protagonizados por Redford, fazendo uma clara comparação do governo escondendo algo e alguém como testa de ferro para levar toda a culpa. Esse filme também lembra um pouco Identidade Bourne por mostrar um agente fora dos padrões comuns e também ter certa vantagem física, coisa que tanto Bourne e Steve Rogers apresentam. Claro que o capitão ainda mais, mas do mesmo jeito chega a ser um filme muito inteligente e atrativo para o publico mais velho.

Quanto mais o filme vai se aprofundando da verdade, mais descobrimos o lado obscuro da agência de espionagem. A Hidra está por trás de tudo, e outro fato interessante é como eles usam a ideologia do Nazismo como pano de fundo também, no caso destruir para recriar ou sempre deixar o mundo em guerra como um modo de evolução, coisa que Hitler tinha em pensamento, caso a Alemanha ganhasse. O roteiro acertou em cheio em mostrar uma inteligência artificial por trás de tudo, que era o Dr. Armin Zola (Toby Jones), que colocou os pensamentos da Hidra dentro da S.H.I.E.L.D., e isso faz com que o filme soe cada vez mais interessante e com pouquíssimos tropeços. O surgimento do “Soldado Invernal” faz com que o capitão tenha um inimigo à altura, nos proporcionando ótimas cenas de ação entre todos do elenco, com destaque, é claro, para a Viúva Negra (Scarlett Johansson) e o Falcão (Anthony Mackie), que são ótimos coadjuvantes.

No entanto, o que deixou a trama um pouco clichê e até de certo modo boba, foi a descoberta de que na verdade o Soldado Invernal é Buck Baners, seu antigo amigo. Buck tem alguns “flashs” do capitão e isso o deixa sentimental demais. Quando a Hidra descobre isso e aplica um choque fazendo-o perder a memória, as lembranças dele deveriam ter sido apagadas, mas não é o que acontece na parte final do filme, quando Buck se lembra de vez de Steve Rogers e o salva da morte. Essa parte sentimental, ao menos para mim, deixou o filme fraco e não permitiu ser uma história mais pesada e dramática no sentido do próprio capitão não se reconhecer mais como um soldado e sim um faz-tudo para a S.H.I.E.L.D, mas claro que esse fator não interfere no andamento da história, como eu disse. Essas novas fases dos filmes da Marvel estão acertando em cheio em explorar mais a dramaticidade das pessoas ao redor dos heróis, suas fraquezas e medos, deixando o Capitão América mais humano, coisa que na primeira parte dos filmes deles era explorado, mas não tão bem como agora.

Capitão America, é um excelente filme para você que não gosta de história de heróis, para saudosistas de bons filmes de espionagem ou para quem é fã do Capitão mesmo. A Marvel está de parabéns! Estão fazendo histórias realmente muito boas, e mostrando como filmes de heróis que seriam para um público “infantil” podem ser bons e não “imbecilóides” como anos atrás. Agora é esperar por Vingadores parte 2 e revelando novos heróis, o que me deixou ansioso para conhecer, por exemplo, “Mercúrio” e a “Feiticeira Escarlate”.

Confiram Capitão e vejam a mudança na linguagem do roteiro, produção, atuação, direção e até na própria linguagem de câmera. Percebam essas mudanças, principalmente do primeiro para o segundo Capitão América e todos os filmes lançados da Marvel nessa parte dois, nos cinemas. E novamente parabéns para a “A Casa das Ideias” por apostar bem nos seus personagens.