Rodrigo C.
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Boyhood - Da Infância À Juventude
Boyhood - Da Infância À Juventude
5,0
Enviada em 31 de outubro de 2014
Na história do cinema há filmes bons, fantásticos e memoráveis. “Boyhood” pertence a esta última categoria, por falta de adjetivo melhor que exprima o que esse filme representa.

“Boyhood” já chama a atenção pelo tempo de produção. Foram 12 anos. A ideia de filmar o crescimento não só do ator, mas dos personagens ao longo da trama é sem dúvida audaciosa, ambiciosa e ousada. E claro, extramente original e autêntica. Só por esse fator, já vale o ingresso. Mas, ele pode ainda proporcionar muitas outras sensações.

A trama é simples: acompanhar a vida de um garoto que tenta descobrir, ao longo dos anos, o seu lugar dentro da família, da sociedade e, também a si próprio. A premissa pode já ter sido muito bem explorada em vários outros filmes, e com maestria. Porém, há um fator que pode mudar tudo, a imprevisibilidade dos acontecimentos no mundo. E o que afeta o mundo, nos afeta também, diretamente ou indiretamente. E esse elemento do desconhecido dá um toque especial.

Obviamente, o crescimento e envelhecimento dos atores bem diante dos seus olhos, com alguns minutos de diferença, é uma experiência fascinante. Mas, há ainda a evolução e mudança no mundo. Fato que foi comprovadamente levado em consideração pelo diretor Richard Linklater, que faz questão de mostrar as tecnologias de cada ano, desde as televisões de tubo ao iPhone.

A grande surpresa também fica por conta dos atores, em sua maioria desconhecidos, salvo a mãe, interpretada pela Patricia Arquette, e o pai, interpretado por Ethan Hawke (famoso pela parceria com o diretor Richard Linklater, pelos filmes “Antes do Amanhecer”, “Antes do Por do Sol” e “Antes da Meia Noite”). O jovem Ellar Coltrane não decepcionou, e ao mesmo tempo em que cresceu, evoluiu também sua interpretação, entregando um personagem real, sincero, polido e completamente perdido e confuso em seus próprios pensamentos e no mundo ao seu redor. Como todo adolescente buscando se conhecer.

“Boyhood” não é apenas um drama, não é apenas um filme sobre autoconhecimento. É uma pequena história do mundo moderno vista pelos olhos de um garoto. É um túnel do tempo, onde vemos que, em poucos anos, o mundo passou por grandes mudanças, sociais, políticas, culturais, religiosas e, é claro, tecnológicas. É ainda, a história de uma família comum, procurando pela felicidade e estabilidade. É uma tormenta de emoções e sentimentos e a descoberta desses.

“Boyhood” não é um filme. É uma obra de arte. É uma experiência de vida. É o cinema em sua melhor forma. É memorável.