fabio
Filmes
Séries
Programas
Voltar
Que Horas Ela Volta?
Que Horas Ela Volta?
5,0
Enviada em 13 de setembro de 2015
“Que horas ela volta?” tocou-me impetuosamente, principalmente por sua sociologia da violência estrutural que desfaz ou, melhor dizendo, refaz os laços entro o centro e o nordeste do País. Fala de dois "nordestes", um que encontra a sua prisão doméstica no Sul e de outro que se exime da compaixão; exime-se do Senhor, do homem modular, que encaixa e nos encaixa nos pequenos quartos de suas casas grandes... O filme trata de um desencaixe e do fim – ainda longe de terminar – de uma duradoura dependência. O fim de um mundo e o começo de outro.
A arrogância e as razões pelas quais nós fomos nos misturar com essa violência não estão tão claramente expostas nesse filme, exceto para quem ainda é nordestino.
Um filme sobre a vida. Saí da sala de cinema com a minha hipocrisia à amostra, mas aliviado e alegre ... muito alegre...
“Que horas ela volta?” ocupará um lugar seleto na sociologia cinematográfica do nordeste, onde já se encontram obras como Cabra Marcado Para Morrer (Dirigido por Eduardo Coutinho, 1985), O Pagador de Promessas (Dirigido por Anselmo Duarte), Abril despedaçado (Direção: Walter Salles, 2001) e Baixio das Bestas (2007, Dirigido por Cláudio Assis, sobre marginalidade na zona canavieira do Nordeste), entre tantas outros.
É, enfim, uma mistura entre Histórias Cruzadas (Dirigido por Tate Taylor, 2012) e o Invasor (nacional, dirigido por Beto Brant).
Inacreditável esse encontrar com as mensagens subliminares de uma engrenagem que dá seus últimos movimentos de moinho. Em Histórias Cruzadas (2012) há uma cena em que a mãe tem que expulsar a velha empregada... Às lágrimas, vi a empregada nordestina pedindo demissão... Incrível!