Valdeci C de Souza
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Chico Xavier
Chico Xavier
1,5
Enviada em 9 de fevereiro de 2012
Daniel Filho é um ótimo diretor de cinema, e acima de tudo, um homem sensível que conhece profundamente a alma feminina. Seus trabalhos como: Primo Basílio, A Dona da História, A Partilha e principalmente o seriado Malu Mulher provam sua competência em retratar, com sensibilidade, o universo feminino. Ao assistir ao filme Chico Xavier dirigido por ele fiquei surpreso ao constatar sua maestria também no universo da biografia. O que poderia parecer um filme enfadonho e sem grandes surpresas emotivas tornou-se uma produção muito interessante sob vários aspectos. Claro que contar a vida do médium Chico Xavier ajudou bastante já que se trata de uma pessoa iluminada, de uma vida de bons princípios humanos e de uma bondade sincera e cativantes. Mas filmes biográficos possuem suas limitações e Daniel Filho as enfrentou com competência e brilhantismo. A única coisa que me incomodou um pouco foi aquela forma de contar a história. Talvez se o diretor tivesse optado em contar a história de forma linear (sem aqueles pulos de tempo) teria sido mais agradável de assistir. Cansou um pouco aqueles flashbacks intermináveis. De qualquer forma é um filme que teve um grande apuro na Direção de Arte, Figurinos e é claro na caracterização dos personagens.

Tony Ramos já é figurinha constante nos trabalhos dirigidos por Daniel Filho e confesso que, apesar de ser um ótimo ator, não surpreendeu já que estamos acostumados aos seus gestuais e a sua forma de interpretação. Está na hora de Daniel Filho trocar de ator ou vai parecer que estamos assistindo sempre o mesmo personagem. Sorte que ele não era imigrante. Ouvir Tony Ramos novamente com sotaque seria o fim. A história paralela de Orlando (Tony Ramos) e Glória (Christiane Torloni) que tiveram o filho morto acidentalmente por um disparo de revólver proferido por seu melhor amigo de infância deu a dimensão da humanidade de Chico Xavier ao psicografar uma mensagem de perdão ao suposto assassino. Giulia Gam como a “madrasta má” foi surpreendente e deixou marcas profundas na história e na pele do menino Chico. Ângelo Antônio perfeito como personagem título assim como Nelson Xavier em sua caracterização física de Chico Xavier no período de 59 a 75.

Enfim, para quem não conhecia a biografia do Chico Xavier vale a pena conferir esta nova produção de Daniel filho e constatar, mais uma vez, sua competência como diretor e sua sensibilidade em contar uma história.

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