Valdeci C de Souza
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Ilha do Medo
Ilha do Medo
2,5
Enviada em 9 de fevereiro de 2012
Tenho por hábito jamais ler comentários ou críticas especializadas sobre filmes que ainda não assisti. Até porque, não costumo frequentar mais as salas de cinema por falta de tempo e, como tenho locadora, espero o DVD chegar ao mercado para assistir aos filmes. Como isso ocorre uns quatro ou cinco meses depois que todo mundo já viu no cinema e a crítica já fez seus comentários procuro não deixar-me influenciar e também para não perder as surpresas que o filme me reserva. Gosto de assistir a um filme de mente aberta e olhos atentos e me deixar levar pelo roteiro e pela criatividade do trabalho do diretor em questão. Assim, ao começar a assistir ao filme Ilha do Medo, do grande mestre Martin Scorsesse já fiquei atento ao detalhe da trilha sonora pulsante e escandalosamente explícita do suspense que estava prestes a assistir. Quando o carro que transporta Teddy Daniels ao hospital presídio a trilha é arrebatadora e é impossível não se lembrar dos filmes de suspense e terror das velhas produções dos anos 30 e 40. Pensei com meus botões: Bem, será esta produção uma homenagem aos filmes daqueles tempos? Vários minutos depois esta impressão se confirmou com a homenagem a Alfred Hitchock, Briam di Palma e, pode ser exagero meu, mas consegui sentir a presença de David Lynch através da personalidade caótica de Teddy. A confusão deste personagem interessante e sua falta de perspectiva de perceber e diferenciar sonho e realidade, lembranças reais ou confusões mentais são muitíssimo reveladoras.
Em uma cena Teddy Daniels pergunta ao seu parceiro “É melhor viver como um monstro ou morrer como um homem bom?”. Está, como se diz popularmente, matada a charada do enigma dos minutos que faltavam para o término do filme. Não que eu tenha descoberto o final e a reviravolta que veria a seguir, mas era, sem sobra de dúvida, uma grande pista que me deixou com a pulga atrás da orelha. Confesso que fiquei com vontade de rever este filme (e o farei com certeza) tal o impacto que ele me causou. Gosto muito desta temática paranóica e aquele ambiente claustrofóbico que vive o personagem principal. Sua confusão mental e suas lembranças chegam a ser dolorosa para quem assisti. Ter praticado aquela carnificina com os soldados alemães ao libertar os prisioneiros judeus no campo de concentração foi um ato que marcou profundamente sua personalidade e Teddy Daniels deveria viver com esta angústia. Ou fugir deste pesadelo. Aquela fotografia espetacular, aqueles figurinos com suas cores sóbrias, os ângulos de câmeras fabulosos e claro a iluminação perfeita foram responsáveis para caracterizar um ambiente propício para a loucura dos personagens, bem como para transmitir ao espectador toda a pressão psicológica enfrentada por Teddy.
Para quem ainda não viu o filme Teddy Deniels (Leonardo DiCaprio) é um agente da FBI que, juntamente com seu parceiro Chuck Aule (Mark Ruffalo) seguem para Shutter Island Ashecliffe Hospital, em Boston para investigar o desaparecimento de Rachel solando (Emily Mortimer) uma paciente criminosa que teria matado, por afogamento, os próprios filhos. Ao iniciar os trabalhos investigativos no local, relata ao seu parceiro que também está procurando no hospício/presídio Andrew Leaddis (Elias Koteas) o homem que teria assassinado sua esposa. Ao ficarem isolado na ilha em razão de uma tempestade começa a desconfiar que no local devam estar havendo experiências humanas idênticas aos praticados pelos nazistas aos judeus. Lembranças de seus atos como soldado na segunda guerra interferem na sua capacidade descobrir o paradeiro de Rachel. Tais lembranças e o assassinato da esposa levam o espectador a cair em inúmeras armadilhas e a acreditar que descobriu o fim do filme. Mas Scorsese volta novamente a criar novas possibilidades e a desmoronar a certeza do entendimento final e assim, de armadilha em armadilha, vamos sendo guiados pela mão do mestre e seu roteiro muito interessante. Uma obra-prima de Martin Scorsese. Suspense na dose certa em um cenário muito bem construído para deixarmos presos nesta ilha de muitas surpresas e reviravoltas onde a verdade pode ser mais cruel que a imaginação psicótica.
Leonardo DiCaprio está perfeito como o conturbado Teddy Deniels e Mark Ruffalo desempenha seu papel de Chuck na dose certa com uma interpretação quase sutil de quem leva pela mão seu companheiro de investigação. Max Von Sydow como Dr. Reremiah é um achado e dá a esta produção um ingrediente de suspense bastante interessante. Pena que Ben Kingsley como Dr. John Crawley dá algumas pistas e parece ser o personagem mais caricato dos filmes de “cientistas malucos que fazem experiências com humanos” já vistos anteriormente em outras produções do gênero. Mas nada que comprometa.

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