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No filme “A flor do Meu Segredo” de Pedro Almodóvar a dualidade amor/verdade ou arte/consumo se fazem presente em todo o decorrer desta produção franco-espanhola de 1995. Magistralmente Almodóvar transforma seus personagens em porta-vozes desta dualidade, quando não ativistas (por vezes involuntários) desta gangorra que os coloca ora a favor do amor e da arte e em outras circunstâncias, a favor do consumismo fácil e da mentira como forma de proteção da individualidade.
Leo Macías (Marisa Paredes) é uma romancista de certo sucesso que faz a linha água-com-açúcar e assina suas obras com o pseudônimo de Amanda Gris. Leo está passando por uma crise existencial e está vendo seu casamento desmoronar razão pela qual está pensando em deixar de escrever romances fáceis para dedicar-se a literatura mais série e contundente. Para retratar esta fase, uma das cenas mostra a escritora calçando umas botas muito apertadas presente do seu marido e que não consegue descalçá-las por mais esforço que faça. Neste momento acredito que Leo Macías está, finalmente, caindo na real e que o mundo “fantasioso” em que vive e escreve a está tirando o foco da sua própria e cruel realidade.
Caminhando com os próprios pés e sem as tais botas que a apertam Leo Macias resolve partir para uma nova jornada como escritora e procura Angel (Juan Echanove) editor do jornal El Pais para escrever artigos para o jornal. E seu primeiro artigo é justamente uma crítica sobre a obra literária de Amanda Gris. Nada mais dúbio que isso! Depois vai a sua editora e diz que vai deixar de escrever romances açucarados e que deseja ser fiel a si mesma e as suas atuais angustias e sofrimentos. Deseja ser sincera com seu público e é tida como louca visto que faz sucesso e, segundo sua editora, o público não quer saber de realidade e sim de fantasia e finais felizes. Assim a realidade bate a porta de Amanda Gris e seu pseudônimo não é mais conveniente com a atual situação de mulher/esposa/escritora Leo Macías. Almodóvar mais uma vez se utiliza de sua fina ironia para fazer Angel utilizar o mesmo pseudônimo de Amanda Gris e assim continuar a ganhar dinheiro com romances cor-de-rosa e ajudar Leo a não sofrer ação judicial da sua editora. Realidade e fantasia misturando-se entre os personagens. Afinal, é preciso ganhar o pão nosso de cada dia e sucesso mesmo só quem escreve frivolidades e romances efêmeros.
Almodóvar, diferente de seus outros trabalhos, não se utiliza das cores exuberantes, personagens caricatos e a sua mistura de comédia escrachada com doses de dramas operísticos. Seus personagens são contidos, suas cores mais sóbrias e os sentimentos mais profundos. Marisa Paredes, mais uma vez, rouba a cena numa interpretação convincente da personalidade dúbia de seu personagem. Esta jornada em busca do “real” como pessoa e como escritora tornou Leo Macías uma mulher madura e, apesar do sofrimento, conseguiu superar seu alcoolismo e enfrentar a separação de seu grande amor. Interessante notar que um dos livros citado em A Flor do Meu Segredo de autoria de Amanda Gris intitulado “A Frigorífica” foi utilizado por Almodóvar no seu filme Volver onze anos depois.
Leo Macías (Marisa Paredes) é uma romancista de certo sucesso que faz a linha água-com-açúcar e assina suas obras com o pseudônimo de Amanda Gris. Leo está passando por uma crise existencial e está vendo seu casamento desmoronar razão pela qual está pensando em deixar de escrever romances fáceis para dedicar-se a literatura mais série e contundente. Para retratar esta fase, uma das cenas mostra a escritora calçando umas botas muito apertadas presente do seu marido e que não consegue descalçá-las por mais esforço que faça. Neste momento acredito que Leo Macías está, finalmente, caindo na real e que o mundo “fantasioso” em que vive e escreve a está tirando o foco da sua própria e cruel realidade.
Caminhando com os próprios pés e sem as tais botas que a apertam Leo Macias resolve partir para uma nova jornada como escritora e procura Angel (Juan Echanove) editor do jornal El Pais para escrever artigos para o jornal. E seu primeiro artigo é justamente uma crítica sobre a obra literária de Amanda Gris. Nada mais dúbio que isso! Depois vai a sua editora e diz que vai deixar de escrever romances açucarados e que deseja ser fiel a si mesma e as suas atuais angustias e sofrimentos. Deseja ser sincera com seu público e é tida como louca visto que faz sucesso e, segundo sua editora, o público não quer saber de realidade e sim de fantasia e finais felizes. Assim a realidade bate a porta de Amanda Gris e seu pseudônimo não é mais conveniente com a atual situação de mulher/esposa/escritora Leo Macías. Almodóvar mais uma vez se utiliza de sua fina ironia para fazer Angel utilizar o mesmo pseudônimo de Amanda Gris e assim continuar a ganhar dinheiro com romances cor-de-rosa e ajudar Leo a não sofrer ação judicial da sua editora. Realidade e fantasia misturando-se entre os personagens. Afinal, é preciso ganhar o pão nosso de cada dia e sucesso mesmo só quem escreve frivolidades e romances efêmeros.
Almodóvar, diferente de seus outros trabalhos, não se utiliza das cores exuberantes, personagens caricatos e a sua mistura de comédia escrachada com doses de dramas operísticos. Seus personagens são contidos, suas cores mais sóbrias e os sentimentos mais profundos. Marisa Paredes, mais uma vez, rouba a cena numa interpretação convincente da personalidade dúbia de seu personagem. Esta jornada em busca do “real” como pessoa e como escritora tornou Leo Macías uma mulher madura e, apesar do sofrimento, conseguiu superar seu alcoolismo e enfrentar a separação de seu grande amor. Interessante notar que um dos livros citado em A Flor do Meu Segredo de autoria de Amanda Gris intitulado “A Frigorífica” foi utilizado por Almodóvar no seu filme Volver onze anos depois.