Valdeci C de Souza
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À Prova de Morte
À Prova de Morte
1,5
Enviada em 9 de fevereiro de 2012

Tarantino é o cara! Sabendo disso ele se dá ao luxo de, propositadamente, fazer de tudo para que seu filme À Prova de Morte seja visto pelo público como um filme descartável, de péssima qualidade de edição, com fotografia sem retoques e artificialismos e trilha sonora das mais variadas possíveis numa mistura sui generis. Deve ter dado um trabalho enorme para Tarantino e sua equipe fazer esta produção parecer um lixo cinematográfico!  Não para seu público cativo que já conhecem suas manhas e excentricidades criativas muito menos para os críticos cinematográficos que adoram  filmes “cabeças”. Confesso que balancei com este filme. Tudo bem que Tarantino é criativo e excêntrico nos seus diálogos “nada a ver” intermináveis tão característicos de sua obra (que me declaro de pronto admirador desta façanha) e por sua mania de querer homenagear os filmes da década de setenta e oitenta com suas trilhas sonoras e tudo mais. Mas não é fácil apreciar à primeira vista este À Prova de Morte. Talvez porque tenha visto este filme baixado da internet com qualidade ainda mais inferior daquilo que Tarantino se propôs a fazer e com as legendas andando rápidas demais ou fora de sincronia. Alguns diálogos foram impossíveis acompanhar e lá pelas tantas eu já não sabia mais quem estava falando o que para quem. Assim, nem com toda a paciência e adoração pela obra de Tarantino foi possível apreciar esta obra e dar-lhe os devidos méritos e aplausos.
Preciso ser sincero e dizer que mesmo com toda esta “criatividade” do Tarantino o filme me pareceu sem propósito. Aliás, o grande propósito do filme foi satisfazer ao próprio diretor sem importar-se com a audiência do grande público. Filmou para si mesmo e para provar aos mortais que ele pode fazer o que lhe dá na telha. Como não precisa provar mais nada a ninguém se dá ao luxo de filmar da maneira que quer e o resto que aceite (ou não). Acho até que só Tarantino (e os seus fãs mais ardorosos) curtiu todo este experimentalismo cinematográfico. Quando vi Planeta Terror também dirigido por Tarantino aplaudi de pé toda aquela encenação e curti muito aquela homenagem aos filmes de terror de quinta. Mas não consegui ficar igualmente entusiasmado por esta produção atual que também simula toda esta plasticidade da precariedade técnica e criativa. Aqueles cortes de edição, a imagem truncada e desfocada, a ação quase que estereotipada dos atores e a canastrice em dose cavalar de Kurt Russel tudo isto já foi visto no Planeta Terror. Já sabemos que Tarantino é um gênio. Agora a ficar a produzir só “homenagens” vai ficar cansativo... Quem assistiu Bastardos Inglórius, Kill Bill I e II, Jackie Brown, Cães de Aluguel, Pulp Fiction – Tempo de Violência, Amor à Queima Roupa e Tempos de Violência sabe que Tarantino é o cara! Espero que esta fase “experimental” passe logo. Já vi Planeta Terror e me dou por satisfeito. Que ele mire suas lentes para mostrar-nos sua genialidade e contar-nos uma boa história. 
Só pra não dizer que não falei de flores... Gostei do final e da possibilidade que Tarantino nos coloca da vingança possível e que um dia o bandido irá encontrar alguém que o enfrente e o aniquile. Aquela perseguição de carros da segunda parte foi de tirar o fôlego e é claro aquele “papo de mulher” (que apesar de não ter sido possível apreciar pela baixa qualidade do arquivo baixado da internet) deu para sentir que Tarantino agora foca sua lente para o universo feminino. Não me atirem pedras fãs de Tarantino, porque eu também sou fã do cara! Vou comprar este DVD, rever o filme e provavelmente fazer os elogios que ele merece. 
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