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E mais uma vez a obra de Nelson Rodrigues não alcança a unanimidade no meio cinematográfico. Com exceção talvez de Toda Nudez será Castigada dirigida por Arnaldo Jabor, as demais adaptações de seus textos para o cinema sempre foram mal recebidas pela crítica e pelo público. Penso que no cinema, há uma grande dificuldade em conciliar o lado sarcástico e a forma irônica que o escritor coloca em seus textos com o roteiro a ser visualizado. Em geral tudo acaba descambando quase para a pornografia. Nesta mais nova adaptação de Bonitinha, mas ordinária, após uma longa espera para o seu lançamento, a sensação que fica é que novamente a visão escandalosa e quase pornográfica do texto prevalece sobre o irônico e o sarcástico. A atualização da trama para os dias atuais também compromete o resultado final, uma vez que em dias tão permissivos como os atuais, se torna anacronismo a tentativa da família de comprar um marido para a filha que perdera a virgindade num baile funk. Leandra Leal em mais uma atuação perfeita salva o resultado final. O seu desempenho me leva a dar uma cotação regular para o filme.