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Quando me deparei com uma fila enorme no Cine Roxy ontem, pensei comigo mesmo, ufa, ainda bem que essa multidão vai assistir "HARRY POTTER E O CÁLICE DE FOGO". Como prefiro cinemas vazios, isso seria uma benção. Esqueci que temas religiosos são extremamente populares no nosso país que é o mais católico e espírita do mundo, por mais incongruente que isso possa parecer. Resumo da ópera: as pessoas amontoadas diante de mim iam assistir "O EXORCISMO DE EMILY ROSE" e não a versão britânica de "O CASTELO RÁ-TCHIM-BUM". O caso da jovem Emily Rose (Jennifer Carpenter) foi real e deu origem a um dos maiores fenômenos de bilheteria com "O EXORCISTA". O diretor Scott Derrickson levou para as barras dos tribunais a trama que culminou com a morte de Emily Rose. O padre Richard Moore (Tom Wilkinson) foi acusado de não ter feito uso dos meios médicos existentes para evitar a morte de Emily por anorexia. O promotor Ethan Thomas (Campbell Scott) baseia os seus argumentos nas evidências médicas de que Emily era portadora de psicose epilética, o que justificaria as alucinações, as alterações de consciência, os automatismos motores e agitação psicomotora. Por outro lado, a advogada de defesa Erin Bruner (Laura Linney), ela que se define desde o início como uma agnóstica, vai pouco a pouco se convencendo de que o exorcismo era a única saída para o caso de Emily Rose. Como o caso ganhou uma repercussão tremenda na imprensa americana, a arquidiocese que contratou os serviços da advogada Erin Bruner para defender o pároco, não queria de forma alguma que ele testemunhasse. Este, por sua vez, fazia questão de expor todos os fatos que levaram ao exorcismo "ineficiente", já que a jovem morreu. Em narrativa "flashback" a platéia vai acompanhando todos os estágios da psicose epilética ou da possessão demoníaca, como queiram vocês queridos leitores. Aliás, desde a Grécia antiga atribuía-se ao poder de possessão pelas divindades a etiologia dos transtornos mentais. De acordo com os atos e as palavras proferidas pelos enfermos considerar-se-ía boa ou má a divindade encarnada. No caso de Emily, certamente a divindade era representativa das "forças malignas", aliás, eram três entidades. Na verdade quem domina o filme é a excelente atriz Laura Linney, que vive uma crise de consciência, pois havia defendido um "bandido" que após sua soltura voltou a matar pessoas inocentes. Não posso esquecer de fazer menção à brilhante atuação de Campbell Scott como o promotor destemido que quer a cabeça do padre Richard Moore. A batalha entre o bem e o mal sempre renderá dividendos para os cofres dos produtores hollywoodianos.