SERGIO LUIZ DOS SANTOS PRIOR
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Marcas da Violência
Marcas da Violência
2,0
Enviada em 9 de fevereiro de 2012
Certamente este é o filme dentre aqueles dirigidos pelo diretor canadense nos últimos anos capaz de atingir o grande público, sem perder a qualidade. Na primeira cena vemos dois ladrões profissionais assassinando um criança com um tiro na cabeça. Aqueles que estão habituados com o trabalho de Cronenberg ("MISTÉRIO E PAIXÕES", "SPIDER", "A MOSCA" e "GÊMEOS - MÓRBIDA SEMELHANÇA") deduzem de imediato que ele percorrerá a trilha da bizarria, da violência teatralizada. Nada mais errado. Em seguida entramos em contato com a realidade de Tom Stall (Viggo Mortensen), dono de uma lanchonete na cidade de Milbrook, no estado de Indiana. Tom é casado com Edie (Maria Bello) e tem um casal de filhos. Mora numa cidade pequena que todos o respeitam. Tem um casamento feliz. A vida dele se aproxima do esteriótipo do sonho americano. Esse clima bucólico que exala alegria nunca foi uma das características do cinema de Cronenberg. Os rumos da história mudam quando a dupla que aparece no início do filme assassinando a garota invade o comércio de Tom com o objetivo de assaltá-lo. Tom reage e mata os dois ladrões. Com isso ele ganha notoriedade por ter salvo a vida de vários inocentes. No entanto, os 15 minutos de fama de Tom custaram-lhe muito: foi descoberto por Carl Fogarty (Ed Harris), um gangster de Filadélfia, que há muitos anos estava no seu encalço. Trocando em miúdos: o cidadão modelo tinha um passado "negro", que até a sua esposa desconhecia. Por sinal, Edie se revolta ao saber desses fatos e o casamento passa a correr riscos. Os dois protagonizam um ato sexual, nessa altura, em que a agressividade e o desejo se confundem, de uma beleza estética poucas vezes vista no cinema. Não resta outra opção a Tom a não ser enfrentar o seu passado. Belíssimo reencontro de David Cronenberg com o grande público, ou seja, com Hollywood.