SERGIO LUIZ DOS SANTOS PRIOR
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Elefante
Elefante
2,0
Enviada em 9 de fevereiro de 2012
O filme vencedor do Festival de Cannes de 2003 usa uma narrativa ficcional para os eventos trágicos ocorridos numa escola de ensino médio no estado do Colorado, EUA, onde dois jovens assassinaram várias pessoas. Michael Moore fez um documentário sobre o mesmo tema, "Bowling for Columbine", analisado neste espaço há algumas semanas e já disponível nas videolocadoras. A grande diferença entre "Elefante" e "Bowling for Columbine" é que o primeiro mais retrata que procura a etiologia para o mal-estar na sociedade norte-americana. O loirinho do poster, John, tem de dirigir o carro no lugar do seu pai, pois este se encontra alcoolizado. Chega atrasado na escola e sofre na pele as conseqüências do alcoolismo do seu genitor. Brittany, Nicole e Jordan são as patricinhas da escola. Combinam ir ao shopping fazer compras, e são bulímicas. Após o almoço vão em conjunto ao banheiro vomitar para manterem "em forma" os seus corpinhos esguios. Michelle, por sua vez, é a patinha feia da turma. Não usa shorts nas aulas de educação física temendo ser gozada pelas colegas. Já Alex e Eric, a dupla assassina, faz uma encomenda de fuzis pela internet. Eles são apreciadores de jogos violentos de videogame e de filmes da época de nazismo, além de presumivelmente serem homossexuais. Há uma cena em que eles se beijam no chuveiro. Eles anseiam por vingança contra a escola, sendo que não são explicados os reais motivos dessa revolta. De toda forma, eles invadem a escola, tal qual o senhor Bush liderou suas tropas sobre o Iraque e vão atirando para cima de todos diante deles. Um massacre é perpetrado. A bela e bem-equipada escola torna-se o palco de um derramamento de sangue idiota. A narrativa de Gus van Sant é daquele dia fatídico e nada mais. Suas câmeras observam os "sintomas" da doença que afeta o tecido social norte-americano. Volto a dizer aqui o que já disse em outra coluna. O apreço que o povo do tio Sam nutre por armas de fogo é algo que merece uma análise mais pormenorizada. Mas, o que mais chama atenção naquela paisagem bonita onde a narrativa se desenvolve é a falta de união, de amizade, de laços entre os estudantes da escola. Não há qualquer senso de "comunhão" entre os estudantes. As longas e panorâmicas tomadas do interior da escola enfatizam a solidão que ali habitava. Todos os atores são amadores, fato que não é novidade na filmografia de Gus van Sant. Não perca!