SERGIO LUIZ DOS SANTOS PRIOR
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Adorável Julia
Adorável Julia
2,0
Enviada em 9 de fevereiro de 2012
Baseado no romance "Teatro", do dramaturgo Somerset Maugham, "ADORÁVEL JULIA" conta a trajetória de uma famosa atriz londrina do final dos anos 30, Julia (Annette Benning). Ela tem aproximadamente 50 anos. É casada com o ex-ator e atual responsável pelos seus negócios, Michael (Jeremy Irons). Eles têm um filho de 20 anos, Roger (Tom Sturridge). O casamento vive apenas da antiga amizade e dos negócios. Cada um é livre para viver suas paixões. Inicialmente Julia está exaurida e quer a todo custo que a temporada de sua peça, "Farewell my love", seja interrompida, e, dessa forma, ela possa ter umas férias. O cansaço de Julia desaparece quando um jovem da idade do seu filho, Tom (Shaun Evans), se aproxima dela primeiramente na condição de fã, e, posteriormente na de amante. A vida de Julia é revigorada no todo, dentro e fora do teatro. Tom é um americano com aspirações esnobes, o que o torna uma pessoa que se encontra no país correto, como o próprio revela num de seus momentos de auto-reflexão. A paixão de Julia por Tom está fadada a não dar certo. Todo mundo com um certo bom senso e com uma certa experiência de vida sabe bem disso. Este é o tema principal tratado no filme, o envelhecimento, enfim o sentimento de que a chance de amar e ser amada pode ter se perdido no passado. Para apreciar esse tipo de filme há a necessidade de se ter uma certa idade, ao menos 30 ou 40 anos. Não foi à toa que a média de idade das pessoas que estavam na mesma sessão que eu era de uns 60 anos. Tom se apaixona pela bela e jovem atriz, Avice Crichton (Lucy Punch), que vê na "amizade" de Tom e Julia a possiblidade de ganhar um papel na nova peça desta última. Todos estão representando dentro e fora do teatro. Julia chora e representa 95% do tempo. O próprio de Julia dá um exemplo desse comportamento enraizado em Julia: ainda pequeno ele se lembra de um diálogo entre ele e sua mãe no qual ela só fez repetir o texto da peça que ela estava encenando. Nesse mundo totalmente distante da realidade da maioria das pessoas, Julia fica "fula" da vida ao saber que Avice mantinha um caso com o seu marido e com Tom. Tudo com a finalidade de conseguir um papel na nova peça. E Júlia destila na cena final da peça, de forma improvisada a sua vingança contra Avice. E se sai divinamente ao revelar de maneira oblíqua o que Avice havia feito para conseguir "subir" no palco. Uma performance brilhante de Annette Benning, digna da indicação ao Oscar que teve. E mais corajoso ainda foi deixar-se filmar em closes que desnudaram as suas rugas faciais. Mas como reza o ditado, quanto mais velho melhor o vinho.