24 anos de parceria, mais de 80 comerciais e um lugar na história da publicidade brasileira: O que aconteceu com o "Baixinho da Kaiser"?
por Ketlyn Ribeiro

José Valien Royo marcou gerações com suas aparições nos comerciais bem-humorados da marca de cerveja, mas hoje leva um estilo de vida discreto.

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Toda vez que assistimos à TV, somos impactados por algum jingle, bordão ou slogan de propaganda que não sai da cabeça. Na lista de comerciais inesquecíveis, aqueles estrelados pelo eterno "Baixinho da Kaiser" certamente estão no topo. A mistura do bom humor do personagem com a música que dizia “a Kaiser é uma grande cerveja, ninguém pode negar” provou ser a receita perfeita para ficar na memória do público até hoje.

O que poucos sabem é que, após desaparecer das telinhas, o icônico garoto-propaganda da cervejaria seguiu outro caminho. A maioria pode até não conhecer seu verdadeiro nome, mas certamente se lembra do rosto amigável e da boina característica de José Valien Royo.

De motorista a astro da TV

Natural de Barcelona, na Espanha, José Valien Royo chegou ao Brasil em 1954, quando tinha apenas oito anos. Ao longo da vida, exerceu diferentes profissões e batalhou muito até acontecer algo inesperado em 1986. Na época, o espanhol trabalhava como motorista da Nova Filmes, produtora de comerciais dirigida por Cláudio Meyer, que recebeu uma proposta inusitada dos publicitários José Zaragoza e Neil Ferreira, da agência DPZ: criar uma propaganda para a Kaiser sem verba, na tentativa de conquistar a conta da cervejaria.

Diante do desafio, a produtora decidiu convocar os próprios funcionários para participar do comercial. Por uma feliz coincidência, José Valien estava entre eles. Pediram que ele fizesse apenas uma figuração, mas, durante a gravação, o motorista não conseguia acertar os passos da dancinha nem acompanhar a musiquinha. O resultado foi tão engraçado que os publicitários resolveram manter tudo como estava e apostar naquela ideia maluca.

O resultado todo mundo já conhece: a campanha ajudou a produtora a conquistar a conta da Kaiser e transformou o então motorista em uma celebridade nacional. O sucesso foi tanto que o comercial, feito praticamente no improviso, conquistou o Leão de Ouro de 1986 no Festival de Cannes, um dos mais prestigiados eventos da publicidade mundial.

E nem tudo foi bem planejado, viu?! A boina, por exemplo, só se tornou a marca registrada do Baixinho porque ele era calvo. “O Valien é meio calvo, então, quando filmávamos todos de costas, a luz do refletor brilhava na cabeça dele. Sugerimos um boné, mas não ficou legal, então emprestei a ele uma boina que eu tinha”, revelou Cláudio Meyer, diretor dos filmes da Kaiser nos três primeiros anos da campanha, em entrevista à Veja.

Por onde anda o Baixinho da Kaiser?

Após 24 anos e cerca de 85 comerciais, a parceria do Baixinho com a Kaiser chegou ao fim em 2010, quando a marca foi adquirida por outro grupo, que optou por adotar novas estratégias de comunicação. Depois de deixar os comerciais fixos da cervejaria, ele ainda participou de campanhas pontuais para outras marcas, como uma famosa tequila e um clube de vinhos.

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Mesmo longe dos holofotes, José Valien Royo continua sendo lembrado pelo público. Atualmente, aos 80 anos, vive de forma mais reclusa com a família no Guarujá, litoral de São Paulo. Como ainda usa seu famoso bigode, é frequentemente abordado nas ruas por fãs que o reconhecem imediatamente pela figura marcante que fez história na televisão brasileira.

Ketlyn Ribeiro
Ketlyn Ribeiro
-Redatora
Apaixonada por cultura pop e com um grande acervo de curiosidades aleatórias na memória. Ketlyn ama enaltecer produções nacionais e dedica-se à cobertura de novelas, realities, minisséries e tudo o que envolve a TV brasileira.
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