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Bruno R
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Crítica da série
5,0
Enviada em 19 de maio de 2019
OZ. Nenhuma outra série dialogou tão profundamente com a realidade que eu vivi, nenhuma outra série me fez repensar tão profundamente sobre a essência dos meus atos e sentimentos. Isto porque eu já estive do lado de dentro - foram apenas 3 meses, mas o que eu vivi e aprendi nesse meio tempo equivale a anos de simples aproximação teórica. A experiência de dividir um espaço apertado com pessoas que, assim como eu, haviam fracassado em certo ponto da vida, muda totalmente a forma de se enxergar o lado de fora - o mundo e suas possibilidades. OZ é uma crítica feroz acerca da problemática que envolve o sistema - e não apenas o penitenciário, mas a todo o sistema, regido por leis, as quais são justas aos olhos do Estado, mas e quanto aos que são oprimidos por esse próprio Estado? É exatamente isso que OZ aborda com tanta maestria: a justiça não é cega, nunca foi e nunca será. A justiça sempre beneficiará o lado mais forte (afinal a corda sempre arrebenta no ponto mais fraco, não é?), portanto justiça nada mais é do que a decisão de um ou alguns indivíduos que, muitas vezes, estão ali por motivações políticas e não por mérito. Por pessoas que não estão interessadas no bem comum, pessoas egoístas, pessoas corruptas. Mas, a grande moral que fica (pelo menos para mim) desta grandiosa série, é que por pior que sejam seus feitos passados ou presentes, todo ser humano tem o direito de uma segunda chance; todo ser humano deveria ser tratado com dignidade, mesmo aqueles que estão presos, porque uma coisa é certa: ódio só gera mais ódio. A razão de existir de uma colônia penal é a reabilitação do indivíduo, mas com as condições que se encontra o sistema penitenciário, você acha que os presos saem reabilitados a viver em sociedade? Claro que não. Eles saem com mais ódio por tudo que são submetidos dentro das prisões, isto é, pela negligência e falta de controle do Estado, e esse ódio é o gatilho para a próxima atrocidade e, portanto, deveria ser intensamente combatido, mas a realidade é cruel; nada mudou desde o lançamento da série, há mais de duas décadas. Pelo menos não por aqui.
Dentre todos os seriados que assisti, Oz é o que mais marcou. Aos que investiram madrugadas assistindo o cotidiano do presídio de segurança máxima no SBT, talvez as coisas parecessem um pouco confusas. Mas assistindo cronologicamente e com calma após fazer o download de todas as temporadas, podemos perceber o quão genial e único é este seriado. Oz possui muita violência e muito sangue, com o qual embebe todas as suas figuras. Ninguém é inocente em Oz, esteja com as chaves ou atrás das grades. Ninguém é, todavia, unicamente mau. O charme de Oz é saber retratar os humanos como são, sem estereótipos. E quanto trabalho antropológico! As gangues possuem um excelente trabalho de caracterização, fazendo com que cada grupo não seja apenas "bandidos" ou "delinquentes" de forma geral e abstrata: neonazistas não cometem crimes pelas mesmas razões que muçulmanos afro-americanos. Italianos não matam pessoas da mesma forma e pelas mesmas razões que negros dos guetos. Todos esses detalhes são explorados tentando-se fazer um raio-x da violência no local que a estocamos como um problema sem solução: o presídios, o disco rígido problemático da sociedade por seu conteúdo altamente explosivo. Em nenhum seriado ou filme você terá, de forma geral, o mundo do crime tão bem representado e com cuidado para se evitar lugares comuns. Em nenhum seriado citações de filósofos, ícones da literatura, estudiosos, enfim, de informações da realidade e a imaginação artística de todos os envolvidos casa-se tão bem. Oz é, além disso, uma crítica profunda, como um punhal afiado, principalmente nas palavras do narrador-personagem Augustus Hill em sua cadeira de rodas. Oz é marcante; outros seriados sobre o tema serão sempre meras caricaturas daquilo que Oz abrange. Na minha humilde opinião é o melhor seriado já produzido nos EUA. Apesar de todo o sangue, apesar de toda a dor. Mas, não é essa a matéria da vida real?
Pra mim é a melhor série, que ao mesmo tempo que retrata a realidade do sistema penitenciário americano, aborda questões muito presentes também no cotidiano comum.
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