Rubi (2004) não é apenas mais uma novela mexicana de sucesso — é, sem exagero, a minha novela mexicana favorita. E isso se deve principalmente à coragem da obra em assumir algo que muitas tramas evitam: sua protagonista não é uma anti-heroína mal compreendida, nem uma vítima do sistema. Rubi é uma vilã completa, consciente, ambiciosa e assumidamente moralmente corrompida.
A versão de 2004 acertou em cheio ao construir uma protagonista de beleza quase inigualável, que não serve apenas como atributo estético, mas como ferramenta narrativa. A beleza de Rubi é poder. Ela sabe disso, usa isso, explora isso — e nunca finge inocência. Diferente de outras novelas que tentam justificar a vilania como consequência do sofrimento, Rubi escolhe o mal mesmo quando poderia escolher o bem. Os conflitos internos entre certo e errado existem, mas são breves, quase simbólicos. No momento decisivo, ela sempre opta pelo caminho mais cruel, mais conveniente e mais vantajoso.
E é exatamente aí que a novela se torna fascinante. Rubi não busca redenção, não aprende uma lição moral clássica e não se arrepende de forma genuína. Sua ambição não é um desvio: é sua essência. Ela manipula, mente, destrói relações e cruza limites com uma frieza que incomoda — e prende o espectador. Assistir a Rubi é observar o colapso ético de alguém que acredita que amor, lealdade e amizade são moedas negociáveis.
Por isso, Rubi ocupa com justiça o posto de uma das maiores vilãs da teledramaturgia mexicana. Não por exagero, mas por coerência. Ela é vilã até o fim, sem pedir desculpas ao público e sem tentar ser perdoada. E talvez seja justamente essa honestidade brutal que faz da novela um clássico: Rubi não quer ser amada — quer vencer.
E vence. Mesmo quando perde tudo.