Uma boa série de ficção científica, apesar da barriga no caminho
Comecei Falling Skies atraído principalmente pela produção de Steven Spielberg, e a série conseguiu me prender, apesar de alguns altos e baixos bem claros.
A primeira temporada é um pouco cansativa e demora para engrenar. A segunda já ganha mais ritmo, e a terceira, para mim, é o ponto alto da série. A quarta e a quinta temporadas dão boa sequência à história e entregam um desfecho satisfatório.
Entre os pontos positivos, destaco os personagens bem construídos e os arcos relativamente bem fechados. A série não deixa seus personagens simplesmente esquecidos pelo caminho e, de modo geral, dá uma conclusão adequada para cada um. Também não senti que ficaram grandes pontas soltas, o que já é um mérito em séries longas desse tipo.
A ambientação pós-apocalíptica é muito bem feita e, em vários momentos, lembra bastante The Walking Dead, só que trocando os zumbis por alienígenas. Esse paralelo funciona bem em alguns momentos, especialmente na sensação de sobrevivência, caos, resistência e reconstrução social.
Por outro lado, a série também sofre justamente com isso. Em alguns trechos, parece que estamos assistindo a uma versão alienígena de The Walking Dead, com muitos dilemas emocionais, romances, brigas internas e conflitos que nem sempre acrescentam de verdade ao enredo. Em vários momentos fica aquela sensação de “encher linguiça” para fazer a temporada render. Pelo ano e pelo formato de TV da época, isso até faz sentido, mas ainda assim pesa no ritmo.
Os efeitos especiais são bons para a proposta da série, mas os gráficos de computador envelheceram de forma mediana. Nada que estrague a experiência, mas algumas cenas deixam claro o limite técnico da produção.
Com spoilers: um ponto que me incomodou foi a falta de coragem da série em mexer nos personagens principais. A maioria das mortes realmente relevantes fica concentrada em personagens que entram e saem ao longo das temporadas. O fato de praticamente ninguém da família Mason morrer soa forçado, e a volta da Anne foi uma decisão bastante discutível, para não dizer um fiasco narrativo. A exceção mais sentida é Pope, que acaba tendo uma conclusão mais marcante.
No geral, Falling Skies vale a pena para quem gosta de ficção científica, invasão alienígena, guerra, caos social e dilemas de sobrevivência em um mundo pós-apocalíptico. Não é uma série perfeita, tem barriga e escolhas questionáveis, mas entrega bons personagens, boa ambientação e um fechamento honesto.