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Yuri
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Crítica da série
4,5
Enviada em 5 de junho de 2024
Ótima série de animação com histórias bem elaboradas e aterrorizantes em cada episódio. Muitas vezes senti pena do cão Coragem, que sempre fez de tudo para salvar seus donos. Uma série infantil que vale muito a pena assistir.
Esse desenho é um clássico da minha infância e acredito que de muitas outras pessoas também. Um desenho super legal e bem esquisito, já que mostra um lado mais sombrio nos desenhos animados. O desenho é bem sinistro, possuindo cenas com fantasmas, demônios, seres de outro mundo, possessão entre outros. Eu confesso que algumas vezes eu ficava com medo ao assisti-lo quando criança. Na primeira temporada tudo se passa na casa dos Bagge e só eles como personagens normais. A partir da segunda temporada os episódios passam a ser em outros lugares, eles fazem viagem e começa a surgir novos personagens na série, que vão reaparecendo ao decorrer das temporadas. Por muitas vezes o desenho parece bem machista, com o Eustácio querendo mandar na Muriel, obrigando ela a cozinhar para ele, lavar, ser a mulher do sonhos de qualquer homem, mas nem tudo é o que parece. Mesmo tendo essas aparições o seriado mostra o lado certo das coisas, pois quando da na telha da Muriel ela pega o que tiver na mão e taca na cabeça do Eustácio, principalmente se o Coragem estiver envolvido, ela só parece uma mulher inofensiva, quando na verdade ela é bem independente e temos vários episódios que mostram isso. Se você ainda não assistiu a essa clássico, eu super recomendo. Você irá se divertir horrores com um dos cachorros mais preferidos de todos.
Coragem, o Cão Covarde é, pra mim, o melhor desenho já feito. Não é só um desenho infantil: é uma obra que mistura terror, humor, emoção e inteligência de um jeito que poucos conseguiram repetir. Cada episódio tem algo pra dizer, mesmo quando parece só estranho ou assustador. O terror do desenho é diferente. Não é jumpscare barato, é aquele medo psicológico, desconfortável, que fica na cabeça. As imagens bizarras, os sons estranhos e os vilões absurdos criam uma atmosfera única. E o mais genial é o duplo sentido: muitas histórias falam sobre medo, solidão, abuso, ganância, inveja e rejeição — tudo isso sem ser sexual, mas profundamente humano. Quando criança, a gente sente o medo. Quando cresce, entende a mensagem. O humor é inteligente e quebra o clima na hora certa. As piadas são rápidas, muitas vezes visuais, outras completamente sem sentido — e é isso que faz funcionar. O desenho sabe rir do próprio absurdo. Ele te assusta e, segundos depois, te faz rir do mesmo medo. Coragem é um protagonista perfeito justamente por ser covarde. Ele sente medo como qualquer um, mas mesmo assim enfrenta tudo sozinho pra proteger quem ama. Ele não é forte, não é herói clássico, mas nunca foge quando Muriel está em perigo. Isso faz ele ser extremamente humano. Eu me vejo muito nele: alguém cheio de medo, mas que encara o que for preciso quando importa de verdade. Os vilões são outro ponto alto. Cada um é único, memorável e simbólico. Não são apenas monstros: representam problemas reais, exagerados de forma criativa. Desde seres sobrenaturais até pessoas “normais” que são ainda mais assustadoras. E o mais louco é que Coragem derrota muitos deles não com força, mas com inteligência, persistência ou simplesmente aguentando firme. Muriel é o coração do desenho. Ela representa bondade pura, carinho e segurança. Já o fazendeiro (Eustácio) é o oposto: rude, egoísta e muitas vezes cruel, mas ainda assim humano. Os dois juntos lembram muito meus avós — aquela mistura de amor, implicância, rotina simples e casa no meio do nada. Isso torna o desenho ainda mais pessoal pra mim. No fim, Coragem, o Cão Covarde é sobre enfrentar o medo, mesmo quando o mundo parece estranho, injusto ou assustador demais. É um desenho que respeita quem assiste, não trata o público como burro e prova que animação infantil pode ser profunda, sombria e emocional. Por tudo isso, Coragem não é só meu desenho favorito. É um dos poucos que conseguiu me assustar, me fazer rir e me fazer sentir acolhido ao mesmo tempo.
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