Coragem, o Cão Covarde é, pra mim, o melhor desenho já feito. Não é só um desenho infantil: é uma obra que mistura terror, humor, emoção e inteligência de um jeito que poucos conseguiram repetir. Cada episódio tem algo pra dizer, mesmo quando parece só estranho ou assustador. O terror do desenho é diferente. Não é jumpscare barato, é aquele medo psicológico, desconfortável, que fica na cabeça. As imagens bizarras, os sons estranhos e os vilões absurdos criam uma atmosfera única. E o mais genial é o duplo sentido: muitas histórias falam sobre medo, solidão, abuso, ganância, inveja e rejeição — tudo isso sem ser sexual, mas profundamente humano. Quando criança, a gente sente o medo. Quando cresce, entende a mensagem.
O humor é inteligente e quebra o clima na hora certa. As piadas são rápidas, muitas vezes visuais, outras completamente sem sentido — e é isso que faz funcionar. O desenho sabe rir do próprio absurdo. Ele te assusta e, segundos depois, te faz rir do mesmo medo.
Coragem é um protagonista perfeito justamente por ser covarde. Ele sente medo como qualquer um, mas mesmo assim enfrenta tudo sozinho pra proteger quem ama. Ele não é forte, não é herói clássico, mas nunca foge quando Muriel está em perigo. Isso faz ele ser extremamente humano. Eu me vejo muito nele: alguém cheio de medo, mas que encara o que for preciso quando importa de verdade. Os vilões são outro ponto alto. Cada um é único, memorável e simbólico. Não são apenas monstros: representam problemas reais, exagerados de forma criativa. Desde seres sobrenaturais até pessoas “normais” que são ainda mais assustadoras. E o mais louco é que Coragem derrota muitos deles não com força, mas com inteligência, persistência ou simplesmente aguentando firme. Muriel é o coração do desenho. Ela representa bondade pura, carinho e segurança. Já o fazendeiro (Eustácio) é o oposto: rude, egoísta e muitas vezes cruel, mas ainda assim humano. Os dois juntos lembram muito meus avós — aquela mistura de amor, implicância, rotina simples e casa no meio do nada. Isso torna o desenho ainda mais pessoal pra mim. No fim, Coragem, o Cão Covarde é sobre enfrentar o medo, mesmo quando o mundo parece estranho, injusto ou assustador demais. É um desenho que respeita quem assiste, não trata o público como burro e prova que animação infantil pode ser profunda, sombria e emocional. Por tudo isso, Coragem não é só meu desenho favorito. É um dos poucos que conseguiu me assustar, me fazer rir e me fazer sentir acolhido ao mesmo tempo.