A série é excelente, com uma trama frenética e envolvente, que te dá aquela vontade de querer ver o próximo episódio. The Pitt tem um primor em mostrar as intenções pessoais e interpessoais dos personagens, o que nos dá um sentimento dramatico mais profundo na trama.
Mas...nem tudo são flores, pois uma coisa que me tira dessa imersão, são as interações dos acompanhantes de cada paciente que chega ao hospital. É um festival da uva, com o centro médico sendo invadido por dezenas de pessoas ao mesmo tempo, para prestar solidariedades a uma família com o filho que teve morte cerebral, apenas pra dar mais peso a trama...uma esposa grávida entrando na sala pré operatória pra dar um beijo em seu marido em estado grave, com 90% do corpo queimado...sério?! Ou pais que entram, com a permissão do líder dos médicos, na sala enquanto sua filha afogada recebe massagem cardíaca. Absurdos que em um centro médico jamais seriam permitidos!
"Ahhh mas é uma obra fictícia...!" Sim, mas mesmo com a suspensão da descrença, essas interações tiram muito da veracidade da obra, pois esses personagens não agregam em nada a não ser atrapalhar, ou fazer o papel do espectador, com perguntas sobre os casos, que são rapidamente respondidos e justificados pelos médicos. Um artifício um pouco preguiçoso e repetitivo de roteiro, que serve apenas para explicar ou dar ênfase nas qualidades e capacidades médicas da equipe!
Mas tirando isso, The Pitt é uma série empolgante e deliciosa de se assitir.
The Pitt eleva o drama médico a um patamar superior, fugindo de fórmulas saturadas. O trunfo da série reside em sua química orgânica e em um elenco que domina o subtexto. A narrativa é construída através de linguagens corporais precisas e olhares que transmitem o peso de um plantão real, onde competência técnica e vulnerabilidade coexistem em cada cena. O roteiro é brilhante ao desenvolver personagens de forma naturalista, permitindo que a vida pessoal surja organicamente nas brechas entre atendimentos. Aliada a uma fotografia fria e técnica, a série utiliza o ambiente corporativo para expor a face comercial da saúde americana. É um retrato atual sobre como o custo financeiro dita o ritmo da cura, transformando o hospital em um cenário de tensão que desafia a ética e a resistência dos profissionais. Uma obra essencial para quem busca realismo e profundidade técnica.
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