Série muito bem escrita e muito bem desenvolvida. Tem toda a cara de um novelão, mas resumido em 8 episódios.
Não apenas o mistério do sequestro de Milo, mas todas as intrigas que vemos ao longo do desenrolar da história. Todo episódio acaba com um mistério, que te puxa para o próximo, dando uma sensação de "Avenida Brasil".
Acho que uma das falhas desse mistério todo é que o mesmo artifício é usado muitas vezes: a situação ocorre de uma forma que faz o espectador acreditar que o culpado é fulano ou ciclano, para, no episódio em seguida, quebrar essa expectativa. Das primeiras vezes você até acredita, mas depois vai se tornando previsível. Porém, ao mesmo tempo que a gente sabe que, provavelmente, a pessoa não é a culpada, a gente fica instigado para descobrir qual é a trama que vai desenrolar daquele personagem. A série consegue te prender e não te faz sentir que entregou tudo de bandeja.
[spoiler a seguir]
Eu gostei muito da forma como a série, intitulada "Tudo culpa dela" faz você acreditar que foi realmente culpa "dela": no início vemos a Marissa sendo a culpada, porque não checou o número da Jenny; para depois descobrirmos que a culpada é a Jenny, que não checou as referencias da babá. Nos inúmeros acontecimentos, nós somos levados a ver cenários de "efeito borboleta", em que um descuido de uma mãe acabou gerando a tragédia. Só que ao desenrolar da série e a apresentação das micro-agressões que os maridos fazem constantemente, a gente passa a perceber o quanto os maridos, na verdade, são os grandes causadores dessas situações. No caso da Jenny, um marido irresponsável e imaturo, faz com que ela fique sobrecarregada com as tarefas do trabalho e a maternidade, quase que obrigando-a a contratar uma babá. Se o pai estivesse presente (pois tempo ele tinha de sobra), a mãe poderia ser mais ativa no trabalho sem ter que contratar uma babá.
No caso de Marissa e Peter, o buraco é mais embaixo. Não vou nem entrar no mérito do que o Peter fez com os irmãos, mas só isso já demonstra o quanto ele tem traços de psicopatia.
Depois que descobrimos que Milo está bem - e as verdadeiras intenções do seu sequestro - nós vemos como a Marissa nunca teve culpa. O pequeno descuido que ela cometeu de não checar o número da Jenny não foi o grande evento causador do sequestro. Quando somos revelados no final o que o Peter fez, a gente sente até uma empatia pela Josie/Carrie. E por falar na Carrie, nem precisa ser uma análise tão profunda, mas se o namorado dela não tivesse tentado vender drogas, não teria sido preso, portanto ela teria tido outro futuro, e não teria sofrido o acidente. O último é mais especulação, mas todos os 3 casos tem - em algum grau - essa culpa que é recaída sobre a mulher no início da série é amenizada à medida em que vamos chegando no final e conseguimos ver com mais profundidade.
Termino dizendo que a série é muito boa e teve a duração exata pra não se perder e ainda assim conseguir desenrolar esse thriller.