The Walking Dead: Dead City (2ª Temporada) 2025
Como um verdadeiro fã de "The Walking Dead" eu gostei da primeira temporada de "Dead City", justamente pelo fato da série recolocar frente a frente uma das maiores rivalidades de toda a história do universo de "The Walking Dead". Acho que todos pensaram como eu, que este spin-off da série principal serviria para dar um ponto final, para resolver de uma vez por todas o grande embate entre Maggie (Lauren Cohan) e seu eterno arquirrival Negan (Jeffrey Dean Morgan). E não foi bem isso que aconteceu, a série usa a rivalidade de ambos como o tema central o tempo todo, mas não como finalização de um assunto pendente que vinha se arrastando desde a série original. Pelo contrário, esta rivalidade serve para compor histórias e personagens paralelos com o único intuito de esticar a série para uma segunda temporada, que a princípio eu achei uma ideia até interessante, mas hoje eu vejo que foi apenas um erro.
No último episódio da primeira temporada nos é revelado que tudo não passou de uma armação, um acordo entre a Maggie e o Croata (Željko Ivanek) para que assim ela levasse o Negan até ele. Ok, podemos até considerar como uma ideia aceitável, até porque para construir a história principal e dar o seu devido foco é preciso compor histórias paralelas de personagens paralelos dentro de todo o contexto. Mas é ai que mora o grande perigo, o fato de começarem a usar cada vez mais estas histórias e estes personagens paralelos para esticar a série em mais temporadas, quando na verdade está claro que não existe mais nenhum sentido.
E foi exatamente isso que aconteceu nessa segunda temporada de "Dead City", perderam completamente a mão, o sentido, o destino dos dois personagens principais. Começaram encher a temporada com histórias e personagens paralelos tirando completamente o foco principal da série. Decidiram dar mais ênfase na guerra pelo controle de Manhattan, onde colocaram a Maggie e o Negan em lados opostos para gerar um discurso infundável e sem nenhum objetivo, por mais que a Maggie e o Negan sempre estiveram em lados opostos. E aqui entra o ponto dessa "Nova Babilônia" e todos os esforços para retomar a cidade usando aquele "metano", onde temos a presença da vilã "The Dama" (Lisa Emery), que apareceu no último episódio da primeira temporada.
Esta vilã usa seus planos mirabolantes e suas ideias distorcidas para gerar todo um discurso de convencimento nos que estão ao seu redor, o que logo confronta com as ideias do próprio Negan, quando ele é meio que forçado (ou não) a se juntar a ela para conseguir uma certa vantagem sobre aquele tipo de ameaça. O que pra mim definitivamente não funcionou, pelo contrário, eu achei esta "The Dama" uma personagem muito ruim e totalmente desconexa. O mesmo vale para o Croata, que eu achei até aceitável na primeira temporada, até pelo confronto gerado com Negan, o que envolve uma rivalidade complexa e antiga entre eles, mas aqui ele parece ter suas ambições e desejos, mas não passa de um cachorrinho da The Dama.
O resto do elenco estão ali apenas para compor uma exigência de roteiro, porque definitivamente não funcionaram em nenhum momento; como no caso do Perlie Armstrong (Gaius Charles), o ex-marechal da federação da Nova Babilônia que foi promovido a coronel, que está completamente perdido na série. Também temos o Bruegel (Kim Coates), que é um personagem que surge como um dos principais antagonistas ao lado da The Dama, que quer parecer soberano, enigmático, quando na verdade não passa de um personagem genérico e fútil. A Ginny (Mahina Napoleon) foi uma personagem que eu achei que seria melhor aproveitada nessa segunda temporada, visto tudo que ela passou em sua história pessoal com relação ao Negan. Porém, novamente ela serve apenas de contexto para as motivações do Negan e da própria Maggie (como vimos no último episódio), e no fim ela é descartada da história.
Agora precisamos falar do Hershel (Logan Kim), o filho problemático da Maggie. De cara eu já vou deixar bem claro que eu achei um personagem muito ruim, com umas motivações bem absurdas, que eu até entendo aquele discurso dele em relação a mãe em manter aquela obsessão pelo Negan. Mas daí ele se juntar com a The Dama cedendo aquela pressão psicológica dela em relação a Maggie eu achei bem absurdo. Criaram um antagonista manipulado pela vilã que se volta contra a própria mãe, onde parece que ele vê na vilã uma figura de mãe onde ele acha que está sendo valorizado e ouvido - outro absurdo!
Puxando o gancho do Hershel, a Lauren Cohan faz o que sabe fazer de melhor na pele da Maggie, porém aquela relação vulnerável e conturbada dela com o filho me incomodou um pouco. Parece que ela é a pessoa mais forte e decidida do universo em todos os outros assuntos, mas quando chega no embate com o filho ela se torna a mãe mais mole e complacente possível. Já o sempre elegante Jeffrey Dean Morgan é um verdadeiro showman à parte, sempre se destaca em cena e gera verdadeiros espetáculos; o que dizer da reapresentação da memorável cena do "Uni, duni, tê". Sensacional!
Por fim, reitero que perderam completamente a mão nessa segunda temporada de "Dead City", até pela perda da dinâmica principal da trama envolvendo os arqui-inimigos Maggie e Negan. O que envolve justamente o final da temporada, quando temos a Maggie frente a frente com a oportunidade que ela sempre almejou na vida e decide recuar. Podemos entender que ela observa aquela relação do Negan com a Ginny e encara aquela realidade com o próprio filho. Ou também podemos subentender que ela decide encarar, enfrentar e conviver com os seus fantasmas e traumas do passado justamente para tentar seguir em frente. Não sei bem seu eu concordo com ela, mas quem sou eu para julgá-la.
Fato é que inevitavelmente teremos uma terceira e provavelmente até uma quarta temporada da série. Agora se vai dar certo eu duvido muito, até porque já espremeram todo o bagaço dessa laranja e o que resultou foi um suco bem ralo e sem nenhum sabor.
- 07/11/2025