The Penguin (2024) mergulha de cabeça no submundo de Gotham, construindo um thriller mafioso denso e cheio de tensão. O grande acerto da série está na forma como conduz a ascensão de Oswald "Oz" Cobblepot sem pressa, sem exageros, apenas confiando na força da narrativa e na construção de personagens impecável. O ritmo é meticuloso, permitindo que cada traição, cada aliança e cada queda tenham peso. A cidade, sempre um organismo vivo nas boas histórias de Gotham, aqui se torna um palco sujo e imprevisível, onde ninguém está seguro e onde um pequeno erro pode custar tudo.
O desenvolvimento de Oz é fascinante. Ele começa como um capanga ambicioso, ainda visto como um pária entre os grandes nomes do crime, mas aos poucos vai impondo respeito, não pela força bruta, mas pela inteligência e pelo instinto de sobrevivência. A relação dele com Vic adiciona um toque de humanidade à trama, ao mesmo tempo em que serve como uma lembrança cruel de que, no jogo pelo poder, não há espaço para fraquezas. Já Sofia Falcone é uma força da natureza, oscilando entre vulnerabilidade e pura brutalidade, sempre imprevisível. Seu arco, marcado por vingança e traumas profundos, traz algumas das cenas mais intensas da temporada.
Ouso dizer que os melhores momentos da série estão nas reviravoltas silenciosas, nos olhares carregados de significado e nos flashbacks que adicionam camadas aos personagens. A forma como a série brinca com as expectativas é magistral. O episódio em que Sofia retorna à mansão dos Falcone e elimina seus inimigos sem dizer uma palavra é uma aula de tensão. O passado de Oz também é revelado com uma frieza impressionante, mostrando que sua ascensão ao topo não foi acaso, mas resultado de uma mentalidade construída desde cedo. E então vem o final, brutal e simbólico, onde todas as peças que pareciam soltas ao longo da temporada se encaixam de forma quase cruel. A decisão final de Oz, o destino de Sofia e aquele último olhar para o Bat-Sinal dizem mais sobre o personagem do que qualquer monólogo poderia.
É uma série que não subestima o espectador e que confia na força de seus personagens para contar uma história que não precisa ser grandiosa para ser memorável. Gotham sempre teve o potencial para ser palco de histórias assim, e The Penguin prova que, quando bem feita, uma narrativa mafiosa nesse universo pode ser tão impactante quanto qualquer épico do gênero.