O Urso
Críticas dos usuários
Críticas da imprensa
Média
3,3
8 notas

2 Críticas do usuário

5
1 crítica
4
0 crítica
3
1 crítica
2
0 crítica
1
0 crítica
0
0 crítica
Organizar por
Críticas mais úteis Críticas mais recentes Por usuários que mais publicaram críticas Por usuários com mais seguidores
NerdCall
NerdCall

58 seguidores 466 críticas Seguir usuário

3,5
Enviada em 8 de julho de 2025
Com o passar dos anos e temporadas, O Urso se consolidou como uma das produções mais intensas, sensíveis e tecnicamente ousadas da televisão. Vencedora de prêmios, dona de episódios memoráveis e de uma estética que influenciou toda uma nova leva de séries dramáticas, a produção criada por Christopher Storer chegou à sua quarta temporada carregando a expectativa de manter o mesmo nível de genialidade visto nos anos anteriores. E mesmo entregando uma temporada menos inspirada em comparação às anteriores, O Urso ainda permanece no topo — com méritos.

A nova leva de episódios escolhe um caminho mais contido, com menos riscos e experimentações técnicas, e aposta em algo mais emocional, profundo e focado em seus personagens centrais. Depois de uma terceira temporada que teve seus momentos de pura ousadia, com episódios sem falas, planos-sequência de tirar o fôlego e estruturas narrativas pouco convencionais, aqui a série desacelera. E isso, num primeiro momento, pode soar decepcionante para quem esperava uma nova quebra de paradigma. Mas a escolha é compreensível quando se observa o que a narrativa quer entregar: um amadurecimento emocional e uma espécie de transição de fase — tanto para os personagens quanto para o restaurante que dá nome à série.

O foco maior dessa temporada recai sobre o trio Carmy, Sydney e Richie, com arcos pessoais mais afiados, mesmo que isso custe o espaço de outros personagens antes relevantes, como Tina e Neil. Carmy, interpretado com profundidade e entrega por Jeremy Allen White, encara de frente seus traumas, frustrações e, sobretudo, sua bagunça interna. Ele finalmente começa a se aproximar emocionalmente de sua família, lidando com o luto do irmão, com sua inabilidade de se abrir e com as consequências da forma como tratou os colegas ao longo da série. Esse mergulho emocional se dá de maneira orgânica, costurado por tudo o que foi construído até aqui. Não há pressa, tampouco sensacionalismo. Há uma tentativa real de redenção.

Sydney, por sua vez, ganha o desenvolvimento que merecia. Sua relação com o pai, suas dúvidas sobre o futuro e a maneira como lida com as responsabilidades de liderar uma cozinha ao lado de alguém tão imprevisível quanto Carmy são exploradas com sensibilidade. A série consegue equilibrar bem suas inseguranças com sua competência, criando uma personagem ainda mais fascinante. Já Richie, ainda que tenha menos espaço, protagoniza um dos momentos mais belos da temporada: o casamento da sua ex-esposa Tiffany. É nesse episódio — o mais longo da temporada — que O Urso retoma, mesmo que pontualmente, o brilho narrativo de seus episódios clássicos. Não é tão impactante quanto os destaques das temporadas anteriores, mas tem coração e significado. Ver Richie aceitando o novo marido de Tiffany e, ao mesmo tempo, abrindo espaço para um novo romance, é o tipo de maturidade emocional que poucas séries conseguem apresentar com tanta naturalidade.

As participações especiais seguem como marca registrada, ainda que menos marcantes. O retorno de Jon Bernthal, Bob Odenkirk e Jamie Lee Curtis eleva o nível das cenas em que aparecem, e as participações de Brie Larson e Danielle Deadwyler, apesar de breves, trazem leveza e frescor. Mas o verdadeiro destaque está na adição de Will Poulter e Sarah Ramos ao elenco recorrente — escolhas acertadas que funcionam bem dentro da dinâmica do restaurante.

Tecnicamente, a série continua refinada. A montagem rápida, a câmera que beira o claustrofóbico e a sonoplastia intensa seguem como elementos fundamentais da identidade visual e narrativa da produção. Ainda assim, sente-se a ausência de um episódio que marque a temporada de forma definitiva — como foi o caso de “Forks”, “Fishes” ou “Review” nos anos anteriores. A falta de ousadia aqui talvez seja o maior sinal de que a série está em modo de transição, testando os limites do fôlego que ainda tem para oferecer. Há um cuidado visível em preparar o terreno para possíveis desfechos futuros, mas o risco é perder parte do impacto emocional que tanto consagrou a série.

No fim, o que O Urso entrega em sua quarta temporada é uma espécie de conforto desconfortável. Ainda queremos estar com esses personagens, ainda nos importamos com o destino do restaurante, ainda queremos entender os conflitos internos de cada um deles. E mesmo quando joga mais no seguro, a série se sustenta. O mérito disso está no trabalho construído desde o início, em roteiros bem amarrados, atuações afiadas e em uma direção que, mesmo contida, sabe onde quer chegar.

O Urso pode não ter entregado sua temporada mais brilhante, mas reafirma que excelência não se mede apenas por ousadia. Às vezes, é preciso apenas continuar a contar boas histórias — e isso a série ainda faz com maestria.
Alexandre Nogueira
Alexandre Nogueira

3 críticas Seguir usuário

5,0
Enviada em 28 de junho de 2025
O terceiro episódio da quarta temporada dessa é uma obra prima, todos os outros são uma construção pra esse momento, cara que sensacional, todas as frustrações, fracassos e a sucessão incríveis de erros, trazem todos os personagens ao mesmo tempo nesse momento, não uma momento, mas um nó que foi atado naquela intercessão, incrível, pura arte, essa série te faz arrepiar com cenas e poderiam facilmente ser cotidianas da vida de alguém por ai, os personagens bem construídos, sem igual!