Eyes Of Wakanda
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Crítica da 1 temporada
3,5
Enviada em 6 de agosto de 2025
Olhos de Wakanda marca a estreia da Marvel Animation na Fase 6 do MCU com um feito inédito: pela primeira vez, uma série animada integra oficialmente a Linha do Tempo Sagrada, ou seja, faz parte da cronologia principal do universo cinematográfico da Marvel. Situada dentro dos acontecimentos estabelecidos em Pantera Negra (2018), a produção surge como uma tentativa de aprofundar a mitologia de Wakanda e preencher lacunas que os filmes, por suas limitações narrativas ou escolhas criativas, deixaram em aberto.

A série teve sua origem em 2018, quando Todd Harris, que trabalhava nos storyboards de Vingadores: Guerra Infinita, apresentou a Ryan Coogler a ideia de uma animação focada nos segredos e na história do reino africano mais tecnológico da ficção. Inicialmente, a proposta era explorar figuras conhecidas do público como M'Baku, as Dora Milaje e até Killmonger. Também chegou a ser cogitada como uma homenagem direta a Chadwick Boseman. Mas os executivos da Marvel hesitaram, temendo comprometer a "experiência cinematográfica". O projeto só recebeu sinal verde após a criação do estúdio próprio da Marvel Animation e foi anunciado oficialmente em 2023, sendo lançado agora em 2025 após adiamentos.

E não haveria nomes mais adequados para liderar essa missão do que Todd Harris e Ryan Coogler. Ambos profundamente envolvidos na criação do universo de Pantera Negra, formam aqui uma dupla criativa que compreende com clareza não só a estética de Wakanda, mas, principalmente, o valor simbólico que ela representa. Ao lado dos roteiristas Geoffrey Thorne e Marc Bernardin, a série aposta em episódios antológicos, cada um situado em um tempo e lugar diferentes, todos conectados pelo mesmo objetivo: proteger o Vibranium e preservar a soberania wakandana.

Essa proposta dá margem para histórias ambientadas desde a Grécia Antiga durante a Guerra de Tróia até a Etiópia do final do século XIX, passando também pela China imperial da Dinastia Ming. Em meio a isso, somos apresentados à organização “Cães de Guerra”, um grupo secreto encarregado de resgatar o Vibranium que circula pelo mundo. Além disso, a série ainda encontra espaço para inserir, de forma sutil, o universo de Punho de Ferro, introduzindo pela primeira vez o personagem de forma oficial no MCU.

Esse mergulho profundo na história e nos bastidores de Wakanda é o que torna Olhos de Wakanda tão fascinante. A liberdade criativa encontrada por Harris e Coogler permite que a narrativa expanda os limites já conhecidos do país, mostrando como o avanço tecnológico wakandano esteve presente mesmo em épocas em que a humanidade sequer imaginava tal progresso. E mais importante: isso não é feito como fanservice gratuito, mas com propósito narrativo. Cada episódio revela uma nova camada da cultura wakandana, ao mesmo tempo em que planta sementes para o que pode ser desenvolvido em Pantera Negra 3, que já está em fase inicial de produção.

No aspecto visual, a série é um deslumbre. A animação feita à mão é inspirada nos trabalhos de artistas afro-americanos como Ernie Barnes e no ilustrador Dean Cornwell. O resultado é uma estética vibrante, com forte identidade visual e uma fluidez que combina perfeitamente com o universo de Wakanda. A cena de abertura é um dos pontos altos nesse quesito, transportando o espectador para um mundo que mistura o sagrado, o ancestral e o futurista de maneira orgânica.

A trilha sonora, assinada por Hesham Nazih (de Cavaleiro da Lua), reforça a proposta da série com composições que equilibram mistério e ação, evocando tanto o espírito da espionagem quanto as raízes culturais do continente africano. Assim como já se tornou marca registrada nos trabalhos de Coogler, há aqui uma atenção cuidadosa à construção de atmosfera e identidade, o que eleva a série muito além do que normalmente se espera de uma animação derivada de franquia.

Entretanto, apesar de todos esses méritos, Olhos de Wakanda deixa uma sensação agridoce. Com apenas quatro episódios de cerca de 30 minutos cada, a série parece limitada demais para o que se propõe. A proposta antológica, por mais interessante que seja no papel, acaba impedindo o aprofundamento real dos personagens apresentados. Justamente por serem histórias isoladas, o público tem pouco tempo para se apegar aos protagonistas de cada episódio — o que diminui o impacto emocional das narrativas.

Mais do que isso, a curta duração impede a exploração completa de algumas ideias promissoras. A série apresenta conceitos riquíssimos, como o papel dos Cães de Guerra, o uso do Vibranium em épocas passadas e o surgimento de conflitos externos envolvendo o material, mas mal arranha a superfície dessas propostas. Fica claro que havia muito mais a ser contado — e talvez essa seja a maior frustração da experiência: ver o potencial, mas não acompanhá-lo até o fim.

Outro ponto que merece atenção é o tom adotado. Em alguns momentos, a série parece querer soar mais séria e intensa do que realmente precisa. Por se tratar de episódios curtos, essa densidade narrativa acaba prejudicando o ritmo. Falta um pouco de leveza, de respiro emocional entre as tramas. Há um esforço tão grande em conferir importância a tudo que é dito ou mostrado, que a série perde a chance de criar conexões mais espontâneas com o público.

Mesmo com essas limitações, Olhos de Wakanda é um passo importante. A Marvel dá sinais de que está disposta a investir em narrativas animadas dentro do seu universo principal — algo que até então era reservado a experimentações paralelas como What If…?. A série serve como uma ponte entre passado e futuro, ampliando os horizontes de Wakanda e abrindo caminho para que outras produções explorem essas histórias de maneira ainda mais profunda.

No fim das contas, a série se destaca muito mais como construção de mundo do que como drama episódico. Sua função talvez não seja emocionar ou surpreender com reviravoltas, mas sim preparar o terreno, construir alicerces, estabelecer códigos culturais e históricos que enriquecerão as futuras tramas do MCU. E, nesse sentido, ela cumpre bem o papel.

Em resumo, Olhos de Wakanda é uma aposta ousada, visualmente impressionante e narrativamente rica, mas que sofre com o tempo limitado e uma estrutura que impede maior envolvimento emocional. A Marvel acerta ao confiar em Ryan Coogler e Todd Harris para comandar essa expansão, mas ainda parece receosa em abraçar por completo o potencial de suas animações. A série entrega muito do que promete, mas deixa no ar a pergunta inevitável: e se tivessem apostado mais alto?
Igor C.
Igor C.

13 seguidores 367 críticas Seguir usuário

Crítica da série
1,0
Enviada em 4 de outubro de 2025
A ideia até tinha potencial, mas a execução foi desastrosa: feia, mal feita e sem graça nenhuma. No fim, acabou sendo uma produção completamente desnecessária.