Rua Dálmatas, 101
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Vinicius Monteiro
Vinicius Monteiro

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Crítica da série
2,5
Enviada em 4 de setembro de 2026
A série pega a elegância e o aconchego do filme de 1961 e os substitui por uma Londres moderna e caótica, cheia de smartphones e redes sociais. O resultado divide opiniões: perde-se o coração e as apostas reais da obra original para dar espaço a muita gritaria e clichês batidos de comédias adolescentes. A continuidade de tempo também não faz sentido, já que Pongo e Prenda são tratados como avós diretos e a Cruella retorna como vilã, mesmo que pela lógica já devesse ter mais de 100 anos. O elenco principal não colabora muito, com o Dylan sendo tão neurótico e controlador que chega a cansar, e a Dolly soando impulsiva e egoísta na maior parte do tempo. Até a premissa dos 99 filhotes é desperdiçada, já que a imensa maioria vira só ruído de fundo ou um truque preguiçoso para encerrar as cenas. Para piorar, o show sofre de uma baita crise de identidade, atirando para todo lado e oscilando entre piadas pastelão para crianças muito novas e ironias que só os mais velhos vão pescar.

Mas nem tudo é um desastre, e o grande acerto fica por conta do visual. A série aposta em uma animação 2D belíssima, fluida e super colorida, com cenários de Camden Town que homenageiam o estilo clássico de pintura da Disney de forma bem atualizada. Tem alguns episódios que até acertam na dinâmica familiar, mas eles acabam soterrados por muita trama genérica de "encher linguiça". No fim das contas, Rua Dálmatas 101 tropeça por querer ser frenética o tempo todo e esquecer de dar uma pausa para respirar e desenvolver seus personagens. Ainda assim, humor é algo muito pessoal. Apesar de todas as minhas ressalvas, vale a pena dar o play de mente aberta; o que me deu dor de cabeça pode acabar sendo uma ótima distração descompromissada para você ou um passatempo super divertido para a criançada.