A Favorita (2008) é uma novela muito boa, especialmente pelo núcleo principal, que envolve Flora e Donatela e o embate entre as duas. O enredo que as cerca, assim como os personagens principais ao redor delas, é envolvente e chega a ser perfeito. Esse núcleo é simplesmente irretocável, destacando-se como o ponto alto da trama. Entretanto, os núcleos paralelos deixam muito a desejar. A novela aborda temas como violência doméstica, corrupção, prostituição, “cura gay” e até um homem que acredita em extraterrestres, mas todos esses núcleos paralelos em minha opinião são fracos e desconectados. Nada disso se compara à excelência do núcleo principal. No fim, o que realmente salva a novela é o embate entre Flora e Donatela, que é o que a torna memorável. Esse núcleo é o coração da história, e sua qualidade inquestionável compensa as falhas dos paralelos menos interessantes. Nota: 8/10
As melhores novelas do autor João Emanuel carneiro com serteza é em 1° lugar é Avenida Brasil e também em 1° lugar A Favorita!! São novelas de um excelente nível, As duas estão no mais auto nível de extraordinárias! Sei que depois dessas duas novelas João Emanuel carneiro deixou cair sua imaginação , escreveu algumas novelas muito ruins , Mas espero que ele consiga se dar conta que ele é excepcional em escrever histórias de suspense , mortes misteriosas, reviravoltas ação à flor da pele !! Acredito que meu autor predileto de todos os tempos acorde e venha criar novelas de auto nível! Como foram as duas : Avenida Brasil e A Favorita !! Essas duas são atemporais!!!
A Favorita é, sem exagero, uma das novelas mais ousadas e memoráveis da teledramaturgia brasileira. Desde o primeiro capítulo, a obra de João Emanuel Carneiro prende o público com uma pergunta simples e poderosa, que conduz os cerca de 50 capítulos iniciais: quem está dizendo a verdade?
De um lado, Flora, recém-saída da prisão, condenada pelo assassinato de Marcelo, que jura ser inocente e aponta Donatela como a verdadeira culpada. Do outro, Donatela, viúva, traída pelo marido, que além de perder o amor da vida ainda assume a criação da filha da mulher que diz tê-lo matado — sua amiga de infância, ex-dupla sertaneja e rival afetiva. O jogo de versões é conduzido com precisão cirúrgica, transformando o público em investigador.
Quando a verdade finalmente vem à tona, A Favorita dá um salto ainda mais corajoso. Flora se revela não apenas culpada, mas uma psicopata fria e sanguinária, movida por inveja, obsessão amorosa e um ódio doentio por Donatela. A partir daí, a novela abandona qualquer zona de conforto e mergulha de vez no suspense, flertando sem medo com o terror psicológico. Assassinatos, manipulação emocional e uma vilã que parece sempre um passo à frente criam uma tensão que poucas novelas ousaram sustentar.
A produção impressiona. Direção, trilha sonora e fotografia elevam A Favorita a um nível que não deve nada a grandes séries americanas de suspense. Cada cena com Flora é construída para gerar desconforto, medo e fascínio — mérito absoluto da atuação e da escrita.
Os núcleos paralelos não são o ponto mais forte da novela, mas também não comprometem o conjunto. Funcionam como respiro narrativo sem quebrar o ritmo da trama principal, que é sólida, ambiciosa e implacável.
No fim, A Favorita entra para a história não apenas como uma grande novela, mas como um divisor de águas. Ela consolida João Emanuel Carneiro como um dos grandes autores do horário nobre e prova que a teledramaturgia brasileira pode brincar com gêneros, subverter expectativas e confiar na inteligência do público.
Uma novela que não pediu licença para ser diferente — e por isso mesmo, se tornou inesquecível.
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